Para amansar os corações maus dos brancos:
ecologias mais-que-humanas, raça e gênero no XIX
DOI:
https://doi.org/10.9771/aa.v0i72.57333Palavras-chave:
Espiritualidade afro-brasileira, Escravidão, África Central, Rio de Janeiro, século XIXResumo
Este artigo constrói uma análise crítica do inquérito policial e dos autos do processo contra os libertos Anna Luiza do Nascimento e Cláudio Manoel entre 1881 e 1882, quando eles foram acusados de charlatanismo em Itaboraí, Rio de Janeiro. Ao ser interrogada, todavia, Anna Luiza se declararia uma simples quimbandeira que distribuía pós de ervas entre escravizados para amansar os corações maus dos brancos. Com o auxílio de registros paroquiais e periódicos da época, reconstruo os mundos sagrados de Anna Luiza e seus companheiros, o repertório intelectual centro-africano com o qual eles se relacionavam e os projetos políticos aos quais eles se dedicavam ao amansar os corações maus dos brancos. O caso de Anna Luiza demonstra que plantas como erva-de-guiné (Petiveria alliacea), tiririca (Cyperus rotundus) e tinguaciba (Zanthoxylum tingoassuiba) formavam, junto a sujeitos escravizados, libertos e livres, ecologias mais-que-humanas envolvidas nos conflitos e negociações na última década da escravidão na província do Rio de Janeiro.
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