Transporte seletivo e dinâmica não conservativa em sistemas carbonáticos marinhos tropicais
DOI:
https://doi.org/10.9771/geocad.v21i0.72541Palavras-chave:
Transporte seletivoResumo
Os sistemas carbonáticos marinhos tropicais têm sido tradicionalmente interpretados com base em modelos de transporte sedimentar derivados da sedimentologia siliciclástica, frequentemente assumindo comportamento conservativo da massa sedimentar. Este trabalho propõe uma abordagem alternativa, demonstrando que o transporte carbonático constitui um processo seletivo e não conservativo, no qual propriedades biogênicas, morfológicas e geoquímicas dos grãos controlam limiares de mobilização, redistribuição e perda sedimentar. A partir de uma síntese processual integrada, discute-se como intermitência hidrodinâmica, fragmentação, dissolução sin-deposicional e exportação diferencial influenciam o balanço sedimentar e a preservação seletiva. Argumenta-se que o transporte atua como filtro dinâmico que condiciona o registro sedimentar efetivamente preservado. Ao reposicionar o transporte no centro da análise, o artigo complementa estudos prévios sobre produção e arquitetura estratigráfica, consolidando uma perspectiva integrada para a compreensão dos sistemas carbonáticos marinhos tropicais.
Downloads
Referências
BETZLER, C.; LÜDMANN, T.; REIJMER, J. J. G.; et al. (2015). The leaking bucket of a Maldives atoll: implications for the understanding of carbonate platform drowning. Marine Geology, v. 366, p. 16–33. https://doi.org/10.1016/j.margeo.2015.04.005
BRETT, C. E.; BAIRD, G. C. (1986). Comparative taphonomy: a key to paleoenvironmental interpretation based on fossil preservation. Palaios, v. 1, n. 3, p. 207–227. https://doi.org/10.2307/3514683
CATUNEANU, O. (2006). Principles of sequence stratigraphy. Amsterdam: Elsevier. https://doi.org/10.1016/B978-044451568-1/50002-9
DROXLER, A. W.; JORRY, S. J. (2020). The origin of modern atolls: challenging Darwin’s deeply ingrained theory. Earth-Science Reviews, v. 204, p. 103170. https://doi.org/10.1016/j.earscirev.2020.103170
DUNHAM, R. J. (1962). Classification of carbonate rocks according to depositional texture. In: HAM, W. E. (ed.). Classification of carbonate rocks. Tulsa: AAPG, p. 108–121. (AAPG Memoir, 1).
EMBRY, A. F.; KLOVAN, J. E. (1971). A late Devonian reef tract on northeastern Banks Island, Northwest Territories. Bulletin of Canadian Petroleum Geology, v. 19, n. 4, p. 730–781. https://doi.org/10.35767/gscpgbull.19.4.730
FLEMMING, B. W. (2015). Particle shape-controlled sorting and transport behaviour. In: Coastal Sediments 2015. San Diego: ASCE, p. 1–14. https://doi.org/10.13140/RG.2.1.2216.9449
FLÜGEL, E. (2004). Microfacies of carbonate rocks: analysis, interpretation and application. Berlin: Springer. ttps://doi.org/10.1007/978-3-662-08726-8
KENCH, P. S.; MCLEAN, R. F.; NICHOL, S. L. (2006). Wave energy gradients across a Maldivian atoll: implications for island geomorphology. Geomorphology, v. 81, n. 1–2, p. 1–17. https://doi.org/10.1016/j.geomorph.2006.04.001
LÜDMANN, T.; BETZLER, C.; LÜTHJE, H.; et al. (2022). The Maldives: a key location of carbonate drifts. Marine Geology, v. 447, p. 106789. https://doi.org/10.1016/j.margeo.2022.106789
MEIRELES, R. P. (2026a). Carbonate factory systems no Quaternário: integração entre produção, hidrodinâmica e arquitetura estratigráfica. Cadernos de Geociências, Salvador, UFBA. (in press).
MEIRELES, R. P. (2026b). Hierarquia processual e controle hidrodinâmico da arquitetura sedimentar em sistemas carbonáticos marinhos. Cadernos de Geociências, Salvador, UFBA. (in press).
MORSE, J. W.; ARVIDSON, R. S.; LÜTTGE, A. (2007). Calcium carbonate formation and dissolution. Chemical Reviews, v. 107, n. 2, p. 342–381. https://doi.org/10.1021/cr050358j
PAUL, A.; BETZLER, C.; LÜDMANN, T.; et al. (2025). Sedimentation dynamics on the Maldives carbonate platform in response to Quaternary monsoonal forcing and sea-level changes. Marine Geology, v. 460, p. 107004. https://doi.org/10.1016/j.margeo.2025.107004
PETROVIC, A.; AINSWORTH, R. B.; et al. (2017). Heterogeneities of carbonate ramp reservoirs: implications for sediment transport and accumulation. Marine and Petroleum Geology, v. 87, p. 55–72. https://doi.org/10.1016/j.marpetgeo.2017.07.015
REIJMER, J. J. G. (2014). Carbonate factories: review and update. Sedimentary Geology, v. 318, p. 1–16. https://doi.org/10.1016/j.sedgeo.2014.10.003
REIJMER, J. J. G. (2021). Marine carbonate factories: review and update. Sedimentology, v. 68, n. 5, p. 1729–1761. https://doi.org/10.1111/sed.12803
RIDING, R. (2000). Microbial carbonates: the geological record of calcified bacterial–algal mats and biofilms. Sedimentology, v. 47, p. 179–214. https://doi.org/10.1046/j.1365-3091.2000.00003.x
SCHLAGER, W. (1981). The paradox of drowned reefs and carbonate platforms. Geological Society of America Bulletin, v. 92, p. 197–211. https://doi.org/10.1130/0016-7606(1981)92
SCHLAGER, W. (2003). Carbonate sedimentology and sequence stratigraphy. Tulsa: SEPM. (Concepts in Sedimentology and Paleontology, 8).
TUCKER, M. E.; WRIGHT, V. P. (1990). Carbonate sedimentology. Oxford: Blackwell Scientific Publications.