“Somente a justiça pode parar uma maldição”: reflexões sobre justiça informacional para mulheres negras na exposição Outras Brasílias: Memórias Sensíveis E Contranarrativas, Brasília-DF
DOI:
https://doi.org/10.9771/contemporanea.v24i1.67395Palavras-chave:
Ciência da Informação, Justiça informacional, mulheres negras, exposições, Distrito FederalResumo
Este artigo aponta reflexões sobre a presença das mulheres negras na exposição Outras Brasílias: Memórias sensíveis e contranarrativas (2024) realizada no Distrito Federal e os desafios para efetivação da justiça informacional. A contribuição das mulheres negras na história do Distrito Federal, apesar de inegável, é sistematicamente silenciada nas instituições de informação, e essa ausência proposital contribui para a manutenção das injustiças sociais que acometem esse grupo. A justiça informacional é um conceito da Ciência da Informação que tenciona questões da justiça social nas instituições de informação. Considera-se, portanto, que a exposição se caracteriza como uma ferramenta de poder e um campo de disputa epistêmica, e que a ausência de mulheres negras em exposições está diretamente relacionada ao projeto colonial que resulta no epistemicídio. O estudo realiza uma análise qualitativa, mediante pesquisa bibliográfica, análise documental e observação in loco, utiliza como principais referenciais teóricos os estudos sobre decolonialidade e contracolonialidade, e é fundamentado em produções majoritariamente realizadas por mulheres negras. Por fim, propõe-se que determinadas estratégias de comunicação expositiva podem reintegrar as memórias e narrativas de mulheres negras que foram sistematicamente silenciadas na história da cidade.
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