Feel-good murders: encerramento narrativo e a intensificação de uma atmosfera aconchegante na série de telefilmes do Hallmark Mystery, Mystery 101
DOI:
https://doi.org/10.9771/contemporanea.v24i1.67552Palavras-chave:
Cozy mysteries, encerramento narrativo, atmosfera, conforto, Hallmark MysteryResumo
Este artigo investiga o papel do encerramento narrativo na criação de atmosferas aconchegantes na série de telefilmes Mystery 101, produzida pelo canal Hallmark Mystery. A análise se concentra no terceiro filme da série, Words Can Kill, de 2019, e parte da hipótese de que os momentos finais de cada episódio funcionam como zonas de distensão emocional, projetadas para modular a experiência do espectador. A narrativa da série opera em dois níveis entrelaçados: a trama iterativa, centrada na resolução de crimes episódicos; e a trama continuada, que acompanha o desenvolvimento afetivo entre os protagonistas, Amy e Travis. A chave da articulação entre essas camadas está na operação sistemática do conforto – uma atmosfera reconfortante que suaviza a gravidade dos eventos criminais e sustenta uma sensação de continuidade emocional. Por meio de uma articulação entre estética atmosférica, teoria narrativa e ciências cognitivas, argumenta-se que o subgênero dos cozies, na versão promovida pelo Hallmark, reposiciona a ideia de acontecimento em favor de uma reconfirmação sensível da ordem e da estabilidade.
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