“Floresta em pé, barriga vazia”: as narrativas sobre a CPI das ONGs no Facebook de parlamentares

Autores

  • Letícia Capone Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e Instituto Democracia em Xeque
  • Arthur Ituassu Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro
  • Caroline Pecoraro Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro
  • Vivian Mannheimer Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro
  • João Guilherme Bastos dos Santos Instituto Democracia em Xeque
  • Agnes de Oliveira Franco Instituto Democracia em Xeque

DOI:

https://doi.org/10.9771/contemporanea.v24i1.68379

Palavras-chave:

CPI das ONGs, senadores, Facebook

Resumo

O artigo tem como objetivo entender de que forma integrantes da comissão parlamentar de inquérito que investigou a atuação das Organizações Não Governamentais (ONGs) ambientais utilizaram suas redes sociais para discutir sobre a atuação de tais organizações nos biomas brasileiros, refletindo sobre a forma como políticos utilizam seus perfis na tentativa de criar significados e – em alguns momentos – intervir no debate público. Para tal, foram observadas as publicações no Facebook dos 17 parlamentares membros e suplentes da comissão parlamentar de inquérito (CPI) entre junho e dezembro de 2023, resultando em um corpus de 374 postagens. O conteúdo foi analisado com uso do Iramuteq, de modo a entender as divisões temáticas a partir de classes de palavras. Foram obtidos os seguintes achados: as publicações se desdobram em dois grandes eixos de classes temáticas que se ramificam em mais duas, totalizando quatro classes. Nota-se que duas classes trazem abordagem relacionada aos principais argumentos mobilizados durante a comissão, enquanto outras duas destacam a atuação e o trabalho da comissão durante as diligências e sessões parlamentares, com uso constante de hashtags com nomes e slogans dos políticos. Após a análise, observa-se que a percepção e os significados atribuídos pelos parlamentares às organizações ambientais em suas redes sociais indicam que essas entidades seriam vistas, por eles, como atuando em sentido oposto aos interesses dos povos indígenas e ribeirinhos da região amazônica, além de serem alinhadas a supostos propósitos ocultos estabelecidos pelo governo atual ou por financiadores internacionais.

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Biografia do Autor

Letícia Capone, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e Instituto Democracia em Xeque

Diretora de Pesquisa no Instituto Democracia em Xeque. Foi professora substituta na Escola de Comunicação da UFRJ (ECO-UFRJ) em 2022 e 2023. Doutora em Comunicação Social pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), é pesquisadora associada ao Grupo de Pesquisa em Comunicação, Internet e Política da PUC-Rio (COMP) e ao Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Democracia Digital (INCT.DD).

Arthur Ituassu, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro

Professor de Comunicação Política da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), Doutor em Relações Internacionais, Coordenador do Grupo de Pesquisa em Comunicação, Internet e Política (COMP), Pesquisador Associado ao Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Democracia Digital (INCT.DD), Presidente (2017-2019) da Associação Brasileira de Pesquisadores em Comunicação e Política (COMPOLÍTICA). 

Caroline Pecoraro, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro

Jornalista, mestre e doutora em Comunicação pela PUC-Rio. Foi parte do corpo docente da MBA de Marketing Digital da Estácio, e do Programa de Capacitação em Campanhas Digitais da PUC-Rio. Integra o Grupo de Pesquisa em Comunicação, Internet e Política da PUC-Rio (COMP), e é filiada ao Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Democracia Digital (INCT.DD). 

Vivian Mannheimer, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro

Jornalista e doutora pelo programa de pós-graduação em Comunicação da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). Faz parte do Grupo de Pesquisa em Comunicação, Internet e Política da mesma instituição (COMP – PUC RJ).

João Guilherme Bastos dos Santos, Instituto Democracia em Xeque

Pesquisador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Democracia Digital (INCT.DD), membro do Carnegie Endowment’s Partnership for Countering Influence Operations Researchers Guild (PCIO), Affiliate no International Panel on the Information Environment (IPIE) e consultor/co-fundador do projeto Democracia em Xeque (DX). Doutor em Comunicação pela Faculdade de Comunicação Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Brasil, com pós-doutorado no INCT.DD. 

Agnes de Oliveira Franco, Instituto Democracia em Xeque

Jornalista especializada em políticas públicas (Unicamp), é mestre em globalização e política trabalhista pela Universidade de Kassel e Universidade de Economia e Direito de Berlim. Atua há mais de 20 anos na área ambiental, tendo passado por diversas ONGs nacionais e internacionais, bem como trabalhado com assessoria política. É membro da Global Labour University Network. 

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Publicado

2026-02-27

Como Citar

Capone, L., Ituassu, A., Pecoraro, C., Mannheimer, V., Santos, J. G. B. dos, & Franco, A. de O. (2026). “Floresta em pé, barriga vazia”: as narrativas sobre a CPI das ONGs no Facebook de parlamentares. Contemporanea, 24(1). https://doi.org/10.9771/contemporanea.v24i1.68379

Edição

Seção

Artigos