“Floresta em pé, barriga vazia”: as narrativas sobre a CPI das ONGs no Facebook de parlamentares
DOI:
https://doi.org/10.9771/contemporanea.v24i1.68379Palavras-chave:
CPI das ONGs, senadores, FacebookResumo
O artigo tem como objetivo entender de que forma integrantes da comissão parlamentar de inquérito que investigou a atuação das Organizações Não Governamentais (ONGs) ambientais utilizaram suas redes sociais para discutir sobre a atuação de tais organizações nos biomas brasileiros, refletindo sobre a forma como políticos utilizam seus perfis na tentativa de criar significados e – em alguns momentos – intervir no debate público. Para tal, foram observadas as publicações no Facebook dos 17 parlamentares membros e suplentes da comissão parlamentar de inquérito (CPI) entre junho e dezembro de 2023, resultando em um corpus de 374 postagens. O conteúdo foi analisado com uso do Iramuteq, de modo a entender as divisões temáticas a partir de classes de palavras. Foram obtidos os seguintes achados: as publicações se desdobram em dois grandes eixos de classes temáticas que se ramificam em mais duas, totalizando quatro classes. Nota-se que duas classes trazem abordagem relacionada aos principais argumentos mobilizados durante a comissão, enquanto outras duas destacam a atuação e o trabalho da comissão durante as diligências e sessões parlamentares, com uso constante de hashtags com nomes e slogans dos políticos. Após a análise, observa-se que a percepção e os significados atribuídos pelos parlamentares às organizações ambientais em suas redes sociais indicam que essas entidades seriam vistas, por eles, como atuando em sentido oposto aos interesses dos povos indígenas e ribeirinhos da região amazônica, além de serem alinhadas a supostos propósitos ocultos estabelecidos pelo governo atual ou por financiadores internacionais.
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