A ELITE DA ELITE NA CIÊNCIA BRASILEIRA: GÊNERO, CLASSE E TRAJETÓRIAS DE MULHERES NA TECNOLOGIA INDUSTRIAL DOS ANOS 1950
DOI:
https://doi.org/10.9771/rf.14.1.71973Palavras-chave:
Mulheres na ciência, Tecnologia Industrial, Gênero, Raça, ClasseResumo
Este artigo investiga a inserção de mulheres no campo da tecnologia industrial brasileira durante os anos 1950, com foco na cidade do Rio de Janeiro, a partir dos dados de um inquérito publicado pela Capes em 1957. Por meio de uma abordagem prosopográfica, foram analisadas 50 mulheres atuantes em instituições públicas de pesquisa, como o Instituto Nacional de Tecnologia (INT) e o Laboratório Nacional de Análises (LNA). A pesquisa identificou um subconjunto de 12 mulheres que receberam auxílios do CNPq, constituindo uma “elite da elite” dentro da comunidade científica. A análise identificou que a maioria era formada em Química, com vínculos institucionais estáveis e participação em cursos e projetos estratégicos para o projeto desenvolvimentista da época. A origem social destacou-se como variável fundamental: muitas eram filhas de imigrantes europeus, brancas e pertencentes à classe média urbana, o que lhes facilitou acesso ao ensino superior. A trajetória dessas mulheres foi atravessada por normas de gênero que impunham conciliações entre trabalho científico, casamento e maternidade, frequentemente viabilizadas pelo trabalho doméstico de mulheres negras invisibilizadas nos registros históricos. O artigo contribui para a compreensão das desigualdades de gênero, raça e classe na ciência brasileira, ao evidenciar que o acesso de mulheres à pesquisa científica, mesmo quando institucionalizado, foi condicionado por filtros sociais que limitavam suas possibilidades de ascensão e reconhecimento, reforçando hierarquias estruturadas por raça, classe e capital social no interior da própria comunidade científica feminina.
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