Revista Feminismos https://revbaianaenferm.ufba.br/index.php/feminismos <p>A Revista Feminismos tem como objetivo divulgar estudos interdisciplinares sobre mulheres, gênero e feminismos, sob a forma de artigos, traduções, ensaios, resenhas, entrevistas, dossiês temáticos e outras manifestações intelectuais que contribuam para o debate científico e para a produção de conhecimento na área, constituindo-se um canal de interlocução com as demandas e ações do feminismo nacional e internacional. <br />Área do conhecimento: Multidisciplinar - Qualis A2: Interdiciplinar<br />ISSN (online): 2317-2932 - Periodicidade: Quadrimestral </p> EUFBA pt-BR Revista Feminismos 2317-2932 <p><span>Autoras/es que publicam nesta revista concordam com os seguintes termos:</span></p><p><span>1. Autoras/es mantém os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a Creative Commons Attribution License que permitindo o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria do trabalho e publicação inicial nesta revista.</span></p><p><span>2. Autoras/es têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não-exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (ex.:</span><span> em repositório institucional ou como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista. </span></p><p><span>3. Autoras/es têm permissão e são estimuladas/os a publicar e distribuir seu trabalho online (ex.: em repositórios institucionais ou na sua página pessoal) a qualquer ponto antes ou durante o processo editorial, já que isso pode gerar alterações produtivas, bem como aumentar o impacto e a citação do trabalho publicado.</span></p> FEMINIZAÇÃO DA POBREZA E SUAS NUANCES NO BRASIL https://revbaianaenferm.ufba.br/index.php/feminismos/article/view/58917 <p>O presente estudo teve como objetivo analisar o processo de feminização da pobreza no Brasil, a partir do gênero das pessoas de referência nos domicílios. Para tal, são utilizados dados relativos à 5ª visita do ano de 2022 da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC), sendo definidas duas linhas de pobreza, correspondentes a ½ e ¼ do salário-mínimo.&nbsp; Os resultados encontrados indicam que houve feminização da pobreza no país, onde domicílios cujas mulheres são as pessoas de referência possuem probabilidade mais elevada de estarem abaixo das linhas de pobreza. Ademais, por meio das demais especificações consideradas, verificou-se outras nuances desse processo. Dessa forma, há intensificação do processo de feminização da pobreza quando além de a pessoa de referência no domicílio ser mulher, ela também é preta, parda ou indígena, realiza dupla jornada de trabalho e mora sozinha.&nbsp;</p> Gabriel Correa Curcio Evandro Camargos Teixeira Copyright (c) 2026 Revista Feminismos 2026-05-20 2026-05-20 14 1 10.9771/rf.14.1.58917 FILOSOFIA (FEMINISTA) DA CIÊNCIA: AS CONTRIBUIÇÕES DE EVELYN FOX KELLER https://revbaianaenferm.ufba.br/index.php/feminismos/article/view/59316 <p>Por cerca de quatro décadas, Evelyn F. Keller (1936-2023) desenvolveu estudos de natureza epistemológica, personificando os esforços de esclarecer uma série de aspectos subjacentes à prática científica que não estavam restritos a fatores de ordem lógico-cognitiva. Assim, em sintonia com as análises que procuraram explorar o peso dos contextos político-econômico e sociocultural, Keller trouxe à luz determinantes mais de ordem externalista. Neste artigo, fazemos uma síntese panorâmica do que foi a evolução temática ocorrida no campo da filosofia da ciência para, em seguida, destacar o caso especial da epistemologia feminista proposta por esta importante protagonista. A partir de algumas de suas publicações mais emblemáticas, damos realce às linhas de argumento que a autora concebeu dentro de uma leitura social crítica sobre a ciência. E concluímos que o tipo de feminismo que Keller incorporou mantem-se útil para análises epistemológicas contemporâneas.</p> Dante Flávio da Costa Reis Junior Giovanna Rodrigues de Souza Coelho Copyright (c) 2026 Revista Feminismos 2026-05-20 2026-05-20 14 1 10.9771/rf.14.1.59316 HÁ FEMINISMO SEM FEMINISTAS? MULHERES PLURAIS ELEITAS EM 2020 E O DESAFIO DAS PAUTAS FEMINISTAS NO BRASIL https://revbaianaenferm.ufba.br/index.php/feminismos/article/view/60484 <p>Nas eleições brasileiras de 2020 batemos recorde na quantidade de mulheres negras, indígenas, travestis e transexuais eleitas, o que certamente se harmoniza com a reivindicação feminista por representatividade dos vários grupos de mulheres nos espaços de poder. O presente artigo visa investigar, no entanto, se a chegada dessas mulheres plurais às Câmaras Municipais de fato representa um potencial avanço para as pautas feministas do país. Tal investigação é conduzida a partir de enfoque qualiquantitativo, sendo os dados sobre as filiações partidárias das vereadoras negras, indígenas, travestis e transexuais eleitas em 2020 conjugados às entrevistas realizadas com parlamentares pertencentes a tais grupos de análise. Ao final, discorre-se sobre a insuficiência da luta isolada por mais diversidade no poder e sobre perspectivas neoliberais que resumem os feminismos a tal demanda.</p> Ana Carla Vaz Porto Selma Alves Pantoja Copyright (c) 2026 Revista Feminismos 2026-05-20 2026-05-20 14 1 10.9771/rf.14.1.60484 DIÁLOGOS ABOLICIONISTAS A PARTIR DO FEMINISMO NEGRO: PENSANDO O ENCARCERAMENTO DE MULHERES NEGRAS DESDE ANGELA DAVIS E LÉLIA GONZALEZ https://revbaianaenferm.ufba.br/index.php/feminismos/article/view/63260 <p>Este texto analisa a influência das mulheres negras nos movimentos abolicionistas no Brasil, destacando a articulação entre os pensamentos de Angela Davis e Lélia Gonzalez. A pesquisa, teórica e documental, demonstra como a organização dessas mulheres e a denúncia da violência estatal são essenciais para desafiar e transformar o sistema penal. A conclusão ressalta que esses movimentos são cruciais para a luta contra sistema penal e a construção de alternativas mais justas à justiça punitiva.</p> <p>&nbsp;</p> Felipe de Araújo Chersoni Ana Karina Licodiedoff Baethgen Karen Maria dos Santos Sofa Fernanda da Silva Lima Copyright (c) 2026 Revista Feminismos 2026-05-20 2026-05-20 14 1 10.9771/rf.14.1.63260 MATERNIDADE E EXPERIÊNCIA VIVIDA: UMA ANÁLISE AUTOBIOGRÁFICA DE UMA MÃE MULTÍPARA https://revbaianaenferm.ufba.br/index.php/feminismos/article/view/63376 <p>O objetivo desse estudo foi compreender os significados intersubjetivos que foram estabelecidos na constituição materna histórico-formativa de uma multípara. Trata-se de um estudo de caso, com abordagem quali-quantitativa, assumindo como percurso metodológico a entrevista narrativa autobiográfica e observação participante de uma mãe multípara de dez gestações. Os relatos autobiográficos foram categorizados em três classes empíricas: Classe 1: “As reflexões intersubjetivas e a auto-organização das experiências gestacionais vivenciadas”; Classe 2: “A rede de apoio social na constituição da maternidade”, e a Classe 3: “A rede de apoio assistencial na constituição da maternidade”, que evidenciaram a experiência de auto-organização desta multípara sobre o papel do homem na estrutura familiar, a importância da educação sexual no seu percurso educacional e afetivo, as suas relações interpessoais com a mãe, os filhos, os parceiros, vizinhos e amigos, constituindo uma importante rede de apoio social, expondo ainda, potencialidades e fragilidades presentes na rede de apoio assistencial. Considera-se que o trajeto autobiográfico possibilitou a reflexão de novas discussões sobre a maternidade, constituída pelas experiências individuais em relação com as redes de apoio social e assistencial, bem como, expôs a necessidade de ampliação das políticas públicas de apoio moral e material às mulheres-mães.</p> Nayara Lourenço Rocha Nilson Vieira Pinto Thiago Medeiros da Costa Daniele Mirna Albuquerque Frota Copyright (c) 2026 Revista Feminismos 2026-05-20 2026-05-20 14 1 10.9771/rf.14.1.63376 PERFIL SOCIODEMOGRÁFICO DE MULHERES VÍTIMAS DE VIOLÊNCIA ACOMPANHADAS EM ENFERMARIA PSIQUIÁTRICA DE HOSPITAL UNIVERSITÁRIO https://revbaianaenferm.ufba.br/index.php/feminismos/article/view/64145 <p>O objetivo deste artigo foi caracterizar e analisar, sob a perspectiva de gênero, o perfil sociodemográfico e clínico de mulheres vítimas de violência internadas em uma enfermaria psiquiátrica. O estudo foi descritivo e os dados, coletados nos prontuários das mulheres internadas entre 2020 e 2023, foram sistematizados e analisados estatisticamente. Os resultados mostraram predomínio da faixa etária entre 20 e 29 anos (36%), cor da pele parda (68%), estado civil solteira (43%), ensino médio completo (36%), religião evangélica (29%), 2 a 3 filhos (33%), trabalho com atendimento ao público (23%) e desemprego (43%). Quanto ao tipo de violência, prevaleceu a sexual (67%) por agressor familiar (51%), A violência sexual foi a mais comum, seguida da violência doméstica em casos de revitimização. Os agressores eram, majoritariamente, familiares e parceiros íntimos. Concluiu-se que as mulheres do estudo eram jovens mães, predominantemente pardas, solteiras, com nível médio de escolaridade, sem renda própria.</p> Ioneide de Oliveira Campos Copyright (c) 2026 Revista Feminismos 2026-05-20 2026-05-20 14 1 10.9771/rf.14.1.64145 AS PERCEPÇÕES DE GÊNERO ENTRE AS INDÍGENAS AKWẼ-XERENTE BENEFICIÁRIAS DO PROGRAMA BOLSA FAMÍLIA https://revbaianaenferm.ufba.br/index.php/feminismos/article/view/57272 <p>Este artigo é resultado de um estudo social antropológico de abordagem qualitativa e pesquisa de campo sobre o impacto do Programa Bolsa Família (PBF) entre o povo indígena Akwẽ-Xerente, do estado do Tocantins-Brasil. Apresentamos, por meio de revisão bibliográfica, a inserção de indígenas no PBF considerando os avanços e desafios na execução do programa. Foi identificado que o programa garante o acesso a alimentação e autonomia para as mulheres indígenas. Desse modo, foi necessário compreendermos, por meio dos estudos conceituais sobre gênero, as mudanças culturais do papel da mulher indígena, uma vez que verificamos mudanças no processo decisório da vida Akwẽ, dando autonomia para as mulheres definirem o que é prioridade para a família.</p> Cássia Araújo Moraes Braga Reijane Pinheiro da Silva Copyright (c) 2026 Revista Feminismos 2026-05-20 2026-05-20 14 1 10.9771/rf.14.1.57272 FEMINISMOS, FOUCAULT, NECROPOLÍTICA E MULHERES EM SITUAÇÃO DE RUA: DIREITOS SEXUAIS E REPRODUTIVOS EM DISPUTA https://revbaianaenferm.ufba.br/index.php/feminismos/article/view/69761 <p>Este ensaio analisa os mecanismos históricos e contemporâneos de controle sobre os corpos femininos, com ênfase nas mulheres em situação de rua, articulando epistemologia feminista, teoria foucaultiana e crítica à racionalidade neoliberal. A partir de uma abordagem interseccional, revela como gênero, raça e classe moldam práticas de exclusão, da disciplina e da violência institucional. O corpo feminino é tratado como instrumento de reprodução social e moral, sendo a maternidade frequentemente usada como tecnologia de dominação. O ensaio evidencia que a autonomia sexual e reprodutiva é sistematicamente negada às mulheres marginalizadas, sustentando um regime bioecropolítico que define quem deve ser protegido ou descartado. A crítica à normatividade patriarcal denuncia a atuação das instituições como agentes de opressão, propondo resistências baseadas em saberes contra-hegemônicos.</p> Bianca Waulla Ribeiro Dionisio Francisca Denise Silva Vasconcelos (in memoriam) Copyright (c) 2026 Revista Feminismos 2026-05-20 2026-05-20 14 1 10.9771/rf.14.1.69761 CONEXÕES ENTRE COLONIALIDADE, RAÇA E BRANQUITUDE: A GENEALOGIA DA EXPERIÊNCIA COMO MÉTODO DE PESQUISA PARA AS ANÁLISES ORGANIZACIONAIS https://revbaianaenferm.ufba.br/index.php/feminismos/article/view/73612 <p>Este ensaio apresenta a genealogia da experiência como método de pesquisa para as análises organizacionais. Fundamentado no feminismo decolonial, argumenta que a experiência não é neutra, mas produzida em estruturas históricas de poder que articulam raça, gênero e colonialidade. A partir de autoras como María Lugones, Sueli Carneiro, Cida Bento, Lia Schucman, Joan Scott e Yuderkys Espinosa Miñoso, evidencia-se que as epistemologias hegemônicas tendem a universalizar categorias e invisibilizar contextos raciais e coloniais. Ao propor a genealogia da experiência, o ensaio contribui para reconfigurar o conhecimento organizacional, desafiando sua pretensa neutralidade e evidenciando como as experiências no trabalho são moldadas por sistemas de poder racializados e hierarquizados.</p> Larissa Nardes do Nascimento Josiane Silva de Oliveira Copyright (c) 2026 Revista Feminismos 2026-05-20 2026-05-20 14 1 10.9771/rf.14.1.73612 13 TESES SOBRE O PROTESTO FEMINISTA - UM MANIFESTO https://revbaianaenferm.ufba.br/index.php/feminismos/article/view/72297 <p>Protestos feministas antirracistas e anticapitalistas estão na vanguarda das mobilizações de massa contemporâneas nas Américas e em outras regiões do mundo. Como um coletivo de intelectuais-ativistas feministas que vivem em diversos países da América Latina, no Canadá e em diferentes regiões dos Estados Unidos, temos nos envolvido nos protestos e teorizado sobre eles desde as revoltas globais da década de 2010. O protesto feminista é uma força constante que desafia a intensificação das violências racistas e de gênero, as novas formas de despossessão e extrativismo capitalista, e a ascensão das extremas direitas. Embora nosso foco esteja na América Latina, acreditamos que estas experiências elucidam também as respostas locais aos ataques violentos contra mulheres, povos indígenas e grupos racializados, assim como contra seus territórios e suas vidas, que vêm ocorrendo em todo o mundo.</p> <p>Este manifesto teoriza como e porquê os feminismos têm sido uma força crescente nos protestos, marcando uma mudança de época no ativismo. Apresentamos treze teses sobre protesto feminista que iluminam o momento atual, conceituam o trabalho e os aportes que o protesto feminista faz e tem feito e propõe teorias e métodos para estudos futuros. Nosso manifesto emerge de conversas em curso e de <em>insights</em> produzidos coletivamente a partir de nossas pesquisas individuais e de uma vasta gama de fontes secundárias e abordagens teóricas. Os manifestos são um gênero utópico cujo objetivo é provocar esperança e criar desejo por um futuro diferente. Como em qualquer manifesto, estão aqui interligadas análise, provocação, aspiração e inspiração. Nosso objetivo é encorajar reflexão e ação que ampliem o poder e a promessa do protesto feminista.</p> Débora De Fina Gonzalez Sonia Alvarez Copyright (c) 2026 Revista Feminismos 2026-05-20 2026-05-20 14 1 10.9771/rf.14.1.72297 APRESENTAÇÃO DO DOSSIÊ MULHERES NA CIÊNCIA: TRAJETÓRIAS E ESTRATÉGIAS DE ENFRENTAMENTO ÀS DESIGUALDADES E VIOLÊNCIAS DE GÊNERO https://revbaianaenferm.ufba.br/index.php/feminismos/article/view/73919 <p>Apresentação do Dossiê Mulheres na Ciência</p> Joana Maria Pedro Karla Adriana Martins Bessa Morgani Guzzo Copyright (c) 2026 Revista Feminismos 2026-05-20 2026-05-20 14 1 10.9771/rf.14.1.73919 A ELITE DA ELITE NA CIÊNCIA BRASILEIRA: GÊNERO, CLASSE E TRAJETÓRIAS DE MULHERES NA TECNOLOGIA INDUSTRIAL DOS ANOS 1950 https://revbaianaenferm.ufba.br/index.php/feminismos/article/view/71973 <p>Este artigo investiga a inserção de mulheres no campo da tecnologia industrial brasileira durante os anos 1950, com foco na cidade do Rio de Janeiro, a partir dos dados de um inquérito publicado pela Capes em 1957. Por meio de uma abordagem prosopográfica, foram analisadas 50 mulheres atuantes em instituições públicas de pesquisa, como o Instituto Nacional de Tecnologia (INT) e o Laboratório Nacional de Análises (LNA). A pesquisa identificou um subconjunto de 12 mulheres que receberam auxílios do CNPq, constituindo uma “elite da elite” dentro da comunidade científica. A análise identificou que a maioria era formada em Química, com vínculos institucionais estáveis e participação em cursos e projetos estratégicos para o projeto desenvolvimentista da época. A origem social destacou-se como variável fundamental: muitas eram filhas de imigrantes europeus, brancas e pertencentes à classe média urbana, o que lhes facilitou acesso ao ensino superior. A trajetória dessas mulheres foi atravessada por normas de gênero que impunham conciliações entre trabalho científico, casamento e maternidade, frequentemente viabilizadas pelo trabalho doméstico de mulheres negras invisibilizadas nos registros históricos. O artigo contribui para a compreensão das desigualdades de gênero, raça e classe na ciência brasileira, ao evidenciar que o acesso de mulheres à pesquisa científica, mesmo quando institucionalizado, foi condicionado por filtros sociais que limitavam suas possibilidades de ascensão e reconhecimento, reforçando hierarquias estruturadas por raça, classe e capital social no interior da própria comunidade científica feminina.</p> Daiane Rossi Copyright (c) 2026 Revista Feminismos 2026-05-20 2026-05-20 14 1 10.9771/rf.14.1.71973 AS PRIMEIRAS PESQUISADORAS DO INSTITUTO OSWALDO CRUZ: MULHERES, PROFISSIONALIZAÇÃO, CIÊNCIA (1938-1968) https://revbaianaenferm.ufba.br/index.php/feminismos/article/view/72022 <p>O artigo tem como foco as primeiras pesquisadoras do Instituto Oswaldo Cruz objetivando compreender o perfil coletivo desse grupo representativo do rompimento com a exclusividade masculina na ciência brasileira a partir da década de 1940. Utiliza metodologia prosopográfica, cruzamento de fontes e análise contextual sobre o cenário científico, educacional e de gênero do período. As origens socioculturais concentram-se em 3 categorias: filhas de membros da intelectualidade, detentoras de capital econômico ou social e, em menor número, oriundas da classe trabalhadora. Em comum, são provenientes de famílias que valorizam a educação das moças, se beneficiaram da diversificação dos cursos superiores e de especialização de seu tempo e contaram com o recrutamento ativo de seus professores. O grupo foi motivado por transformações culturais que viabilizavam novas formas de atuação feminina no espaço público, bem como novas oportunidades que surgiam na esfera científica, que também negociava seu papel social e maiores condições de profissionalização.</p> Lia Gomes Pinto de Sousa Nara Azevedo Copyright (c) 2026 Revista Feminismos 2026-05-20 2026-05-20 14 1 10.9771/rf.14.1.72022 ESTUDOS RADIOFÔNICOS SOB A PERSPECTIVA DE GÊNERO: ANÁLISE CRÍTICA DA PRODUÇÃO CIENTÍFICA BRASILEIRA https://revbaianaenferm.ufba.br/index.php/feminismos/article/view/71965 <p>Neste artigo, buscamos analisar o lugar atribuído à produção científica feminina nos estudos radiofônicos brasileiros, identificando a referenciação ao trabalho acadêmico de pesquisadoras/es a partir de uma perspectiva de gênero. Para isso, realizamos uma análise de base cientométrica de artigos publicados em anais de eventos de três dos principais congressos de comunicação do Brasil: Encontro Nacional de Pesquisadores de História da Mídia (Grupo de Trabalho História da Mídia Sonora); Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação (Grupo de Pesquisa Rádio e Mídia Sonora); e Encontro Nacional da Associação de Programas de Pós-Graduação em Comunicação (sem grupo específico no período da amostra, analisamos os anais completos). Os resultados principais revelam um baixo reconhecimento da mulher como produtora de conhecimento e uma naturalização do homem como o sujeito de referência no campo científico.</p> Debora Cristina Lopez Juliana Gobbi Betti Marcelo Freire Copyright (c) 2026 Revista Feminismos 2026-05-20 2026-05-20 14 1 10.9771/rf.14.1.71965 PREVALÊNCIA E PERCEPÇÕES DE ESTUDANTES SOBRE A VIOLÊNCIA DE GÊNERO EM UMA UNIVERSIDADE PÚBLICA https://revbaianaenferm.ufba.br/index.php/feminismos/article/view/71987 <p>Este artigo sistematiza os principais resultados obtidos na pesquisa que buscou caracterizar e estimar a prevalência e percepções de estudantes acerca da violência de gênero em uma universidade pública multicampi do estado do Paraná. Por meio de um estudo descritivo e quantitativo, lançamos um olhar sobre essa realidade que vem ganhando fôlego nos estudos acadêmicos no Brasil. Participaram do estudo 647 de estudantes, que responderam questionários contendo questões abertas, fechadas e mistas. Os dados obtidos indicam a normalização das violências de gênero no ambiente universitário como algo assustador. Frequentemente, a constante vivência das diversas formas dessas violências, expostas nas salas de aula e em outros locais do ambiente universitário - algo que não é visível, embora esteja ao alcance de todos - intensifica o processo de sua invisibilidade no meio acadêmico e reflete na complexidade de sua superação e prevenção. Medo, vergonha, desconfiança e a sensação de impunidade são sentimentos frequentes entre as estudantes, que se sentem negligenciadas pela instituição As denúncias não são “bem acolhidas”, são desencorajadas e silenciadas para preservar “a imagem da universidade”. Romper com o silêncio e o desestímulo às denúncias de violência de gênero implica desafiar a “ignorância cultivada” e o “direito de não saber” no contexto universitário. &nbsp;</p> Maria Cristina Cavaleiro Elisangela Aparecida da Silva Lizzi Elisangela Aparecida da Silva Lizzi Copyright (c) 2026 Revista Feminismos 2026-05-20 2026-05-20 14 1 10.9771/rf.14.1.71987 A PROBLEMÁTICA DO ASSÉDIO NO AMBIENTE UNIVERSITÁRIO: PASSOS RUMO À PREVENÇÃO E AO ENFRENTAMENTO A PARTIR DE REVISÃO INTEGRATIVA DA LITERATURA https://revbaianaenferm.ufba.br/index.php/feminismos/article/view/72024 <p>Este artigo trata de uma revisão integrativa da literatura sobre o assédio no ambiente universitário e tem como objetivo mapear discussões existentes na literatura a partir das dimensões: política, cultural, social e econômica, bem como discutir sobre estratégias de prevenção e enfrentamento presentes no corpus analisado. A metodologia baseou-se na análise sistemática de 38 artigos publicados entre 2015 e 2024, selecionados nas bases <em>Web of Science</em> e <em>Scopus</em>, a partir de critérios de inclusão e exclusão. Os resultados tendem a indicar que o assédio é um fenômeno estrutural, enraizado em relações de poder e desigualdades de gênero, raça e classe, afetando desproporcionalmente mulheres e minorias sociais. As contribuições teóricas incluem a síntese de conceitos e a análise multidimensional e interseccional do problema. Sobretudo, o estudo aponta a necessidade de políticas institucionais eficazes, como protocolos claros, canais de denúncia seguros, campanhas de conscientização, formação especializada e outros elementos para combater a violência, promover ambientes seguros e formas de convivência ética e bioética.</p> Diego Costa Mendes Júllya Ágatha Monteiro Costa Mariana Ramalho Procópio Xavier Copyright (c) 2026 Revista Feminismos 2026-05-20 2026-05-20 14 1 10.9771/rf.14.1.72024 MECANISMOS E AÇÕES INSTITUCIONAIS PARA A PREVENÇÃO E ENFRENTAMENTO DAS VIOLÊNCIAS DE GÊNERO EM UNIVERSIDADES BRASILEIRAS https://revbaianaenferm.ufba.br/index.php/feminismos/article/view/71958 <p>A violência de gênero é um fenômeno social e global, resultado das relações desiguais de poder e de gênero que também se manifestam nos ambientes acadêmicos. Assim, o objetivo deste estudo é visibilizar o mapeamento dos mecanismos institucionais (comitês, secretarias, etc.) existentes em universidades do Brasil até o ano de 2022, voltados à prevenção e enfrentamento das violências de gênero, evidenciando algumas de suas ações. Trata-se de uma investigação qualitativa de natureza exploratória. O universo pesquisado são as universidades federais, estaduais públicas das regiões Sul e Sudeste do Brasil e comunitárias da região Sul. A coleta das informações ocorreu por meio de diferentes técnicas, como: consulta aos portais eletrônicos das instituições acadêmicas, <em>site</em> de busca <em>Google,</em> utilizando-se de palavras-chave sobre o tema, envio de <em>e-mails </em>e formulários para reitorias e coordenações. Os resultados apontam que as políticas institucionais em universidades brasileiras são recentes e ainda em número reduzido e poucas instituições acadêmicas têm se comprometido com a construção de ações diante das violências de gênero que ocorrem no espaço universitário.</p> Neiva Furlin Copyright (c) 2026 Revista Feminismos 2026-05-20 2026-05-20 14 1 10.9771/rf.14.1.71958 ASSÉDIO NO ÂMBITO DAS UNIVERSIDADES FEDERAIS: ANÁLISE DAS POLÍTICAS DE COMBATE E PREVENÇÃO AO ASSÉDIO SEXUAL E MORAL https://revbaianaenferm.ufba.br/index.php/feminismos/article/view/71918 <p><span style="font-weight: 400;">No contexto acadêmico, as relações de poder fazem com que os/as estudantes (principalmente as mulheres), sejam muitas vezes submetidas a demandas de seus professores por medo de represálias e prejuízos para sua carreira. Assim, cria-se um ambiente institucional em que o silenciamento dessas situações de assédio prevalece. De forma a contribuir para romper o silêncio, essa pesquisa se propõe a fazer uma análise da regulamentação federal do tema, um levantamento de boas práticas nas Universidades Federais brasileiras e apontar melhorias nos mecanismos legais e administrativos. São analisados os conceitos normativos de assédio e enunciados limites da Lei n. 8.112/90. Em seguida, são apresentados os resultados de questionários enviados via LAI para as 69 universidades federais, expondo as políticas de prevenção e enfrentamento adotadas.</span></p> Maria Eduarda de Souza Luana Renostro Heinen Copyright (c) 2026 Revista Feminismos 2026-05-20 2026-05-20 14 1 10.9771/rf.v14i1.71918 INCLUSÃO DE MULHERES EM STEM: REFLEXÕES A PARTIR DAS MATEMÁTICAS NO BRASIL E NA FRANÇA https://revbaianaenferm.ufba.br/index.php/feminismos/article/view/72103 <p>Esse artigo traz alguns elementos para a reflexão sobre a inclusão de mulheres em STEM, tomando como recorte empírico uma das áreas que mais resistiu a sua presença: a matemática. A partir da organização das mulheres nas comunidades de pesquisa em matemática do Brasil e da França. <em>vis-à-vis</em> o “movimento STEM”, problematizam-se algumas “ausências”. O artigo está embasado em tese de doutorado em andamento, metologicamente pautada na <em>grounded theory</em>, cujo campo de investigação foi composto por 24 entrevistas com matemáticas atuando no Brasil e na França e que se engajaram na promoção da igualdade de gênero na comunidade de pesquisa em matemática de seus respectivos países. As ações voltadas à inclusão de mulheres em STEM se cruzam com as trajetórias dessas matemáticas e o contraste entre os dois contextos ilumina tanto as especificidades de cada um quanto aquilo que é compartilhado. Conclui-se que em ambos os países a pauta da igualdade de gênero em STEM proporcionou a reflexão individual e coletiva sobre as desigualdades de gênero dentro e fora da comunidade de pesquisa em matemática. Dentre as principais contribuições observadas destacam-se a desnaturalização de estereótipos, o tensionamento da ideia de “mulher” unidimensional e o estabelecimento e mobilização de redes de mulheres, que tensionaram o poder, as instituições e as fronteiras geográficas e disciplinares. Todavia, algumas “ausências” permanecem no campo e na literatura, como o questionamento do viés de gênero no conhecimento, que apareceu marginalmente.</p> Gabriela Marino Silva Copyright (c) 2026 Revista Feminismos 2026-05-20 2026-05-20 14 1 10.9771/rf.14.1.72103 ONDE ESTÃO AS MULHERES NO IFPR: ACHADOS DO PROJETO DE PESQUISA "MENINAS, MULHERES E CIÊNCIAS NO IFPR" https://revbaianaenferm.ufba.br/index.php/feminismos/article/view/72065 <p><span style="font-weight: 400;">Este artigo tem o objetivo de apresentar os resultados do projeto "Meninas e Mulheres nas Ciências do IFPR campus Curitiba", iniciado em 2020, que investiga a participação feminina, tanto de discentes como de servidoras, em cursos técnicos integrados ao ensino médio. A pesquisa, de base qualitativa com apoio em dados quantitativos, revelou a baixa presença de meninas em cursos historicamente masculinos, como Mecânica e Jogos Digitais, bem como a desigualdade na distribuição de docentes nas áreas técnicas dos cursos técnicos ao ensino médio e em cargos de gestão. O estudo também aborda denúncias de assédio e a urgência de políticas institucionais para a equidade de gênero. Os dados evidenciam que, apesar de avanços, as mulheres ainda enfrentam grandes desafios na educação profissional e científica.</span></p> Joyce Luciane Correia Muzi Gabriela Chicuta Ribeiro Copyright (c) 2026 Revista Feminismos 2026-05-20 2026-05-20 14 1 10.9771/rf.14.1.72065 CRIANÇAS, MÃES E ENSINO SUPERIOR: UMA ETNOGRAFIA DO CUIDADO NA EDUCAÇÃO DO CAMPO https://revbaianaenferm.ufba.br/index.php/feminismos/article/view/71936 <p>Este texto apresenta registros etnográficos realizados no período de agosto de 2021 a maio de 2022, com o intuito de conhecer narrativas de mães universitárias, na relação com seus filhos, durante a pandemia de Covid-19, em territórios indígenas e quilombolas. As vivências dessas mulheres abordam percepções sobre o cuidado, em âmbito individual e coletivo, lançando luz à temas clássicos dos estudos feministas e convidando ao diálogo com estudos sobre a infância, sobretudo sobre o cotidiano de crianças indígenas e quilombolas. Apresento suas experiências, aqui, enquanto parte das análises de uma pesquisa de pós-doutorado, que desenvolvi no Programa de Investigação Pós-Doutoral em Ciências Sociais, Infâncias e Juventudes CLACSO/RedInju, junto à Universidade de Manizales, Colômbia – pesquisa que tem como objetivo analisar o impacto da pandemia de Covid-19 no cotidiano de mães universitárias, indígenas e quilombolas, haja vista as denúncias sistemáticas de movimentos sociais sobre o descaso governamental em seus territórios neste período. Por fim, problematizo a dimensão do trabalho de cuidados na instituição e as consequências atuais que a ausência de uma política de cuidado impõe à permanência das mães da Educação do Campo, especialmente das mães indígenas e quilombolas, no campo das ciências.</p> Suzana Cavalheiro de Jesus Copyright (c) 2026 Revista Feminismos 2026-05-20 2026-05-20 14 1 10.9771/rf.14.1.71936