O fetiche da natureza e a mercantilização das pedras naturais no cenário contemporâneo

Autores

DOI:

https://doi.org/10.9771/geo.v0i1.72316

Palavras-chave:

Rochas ornamentais, Fetichismo da mercadoria, Rentismo

Resumo

O trabalho analisa a transformação das rochas ornamentais em mercadorias altamente valorizadas e fetichizadas no cenário contemporâneo, distanciando-se do valor classicamente determinado pelo processo produtivo, isto é, pela relação valor-trabalho. Argumenta-se que esse processo de valorização está associado, de um lado, à instrumentalização jurídica da propriedade fundiária e dos direitos de lavra e, de outro, à incorporação de elementos simbólicos vinculados às características naturais e valores culturais historicamente construídos. Nas últimas décadas, com a intensificação da urbanização em escala planetária e a conversão industrial de praticamente todos os elementos da natureza em mercadorias, a vida cotidiana se afastou progressivamente do meio natural. Paradoxalmente, esse distanciamento produz uma crescente valorização simbólica da natureza, conforme assinala Lefebvre. O fetiche da mercadoria, entretanto, encobre a relação de destruição da natureza inerente à exploração das rochas, que resultam de processos geológicos que se desenvolveram ao longo de milhões de anos. À luz da teoria crítica, busca-se revelar a contradição inerente à lógica de acumulação no setor: a exaltação dos atributos simbólicos e naturais dessa mercadoria – frequentemente mobilizada para a promoção do rentismo – ocorre simultaneamente à sua subtração do ambiente natural. Adota-se a indústria brasileira de rochas ornamentais como recorte espacial analítico.

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Biografia do Autor

Elizete da Neiva Moreira, Universidade Federal do Espírito Santo

Mestre e doutoranda em Geografia pelo Programa de Pós-Graduação em Geografia da Universidade Federal do Espírito Santo (PPGG-UFES).

Carlos Teixeira de Campos Júnior, Universidade Federal do Espírito Santo

Professor Titular do Departamento de Geografia da Universidade Federal do Espírito Santo, mestre e doutor pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP.

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Publicado

2026-07-07

Como Citar

da Neiva Moreira, E., & Teixeira de Campos Júnior, C. (2026). O fetiche da natureza e a mercantilização das pedras naturais no cenário contemporâneo. GeoTextos, 22(1). https://doi.org/10.9771/geo.v0i1.72316

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Artigos