Segregação socioespacial e racialização do espaço urbano em Natal (RN)
evidências intraurbanas a partir do censo 2022
DOI:
https://doi.org/10.9771/geo.v0i1.73593Palavras-chave:
Segregação socioespacial, Racialização do espaço, Centro-periferia, HabitabilidadeResumo
A urbanização brasileira é marcada por profundas desigualdades socioespaciais que se materializam na organização interna das cidades. Neste contexto, o presente artigo analisa a segregação socioespacial em Natal (RN), tomando como referência a noção de “apartheid à moda brasileira” como chave interpretativa para compreender a produção desigual do espaço urbano. O objetivo consiste em discutir se a distribuição racial da população se articulou com as desigualdades nas condições domiciliares e no acesso à infraestrutura urbana, configurando um padrão territorial persistente de exclusão. Metodologicamente, adotou-se uma abordagem quantitativa descritiva de orientação crítico-interpretativa, baseada em análise estatística descritiva e cartografia temática a partir de variáveis do Censo Demográfico de 2022. A análise cruzada entre raça/cor, composição domiciliar, saneamento e alfabetização evidencia a sobreposição espacial entre concentração de população preta e parda, maior adensamento domiciliar, precariedade sanitária e vulnerabilidade educacional. Os resultados indicam que a segregação em Natal não se limita a diferenças econômicas, mas expressa uma dimensão racializada da produção do espaço urbano. Conclui-se que o território se expressa como mecanismo ativo de reprodução de desigualdades, reforçando a necessidade de políticas públicas orientadas pela justiça espacial.
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