A seção de memória e arquivo do Museu Nacional após o desastre
Palavras-chave:
Museu Nacional, arquivos pós-sinistro, preservação digital, memória institucional, reconfiguração arquivísticaResumo
Introdução: O artigo analisa o processo de reconfiguração da Seção de Memória e Arquivo do Museu Nacional/UFRJ (SEMEAR) após o incêndio de 2018, que provocou a perda quase total de seu acervo físico. Objetivo: compreender de que modo suas funções e práticas arquivísticas foram redefinidas para assegurar a continuidade institucional, o acesso à informação e a preservação da memória científica. Metodologia: a pesquisa adota abordagem qualitativa, de caráter histórico-analítico, fundamentada em pesquisa bibliográfica e documental, observação participante e análise das ações institucionais desenvolvidas no período pós-sinistro, à luz de normas arquivísticas internacionais, especialmente a ISAD(G), e de referenciais teóricos sobre memória e arquivos em contextos de desastre. Resultados: evidenciam-se a transição de um modelo centrado na custódia física para práticas orientadas pela preservação digital, recuperação de representantes informacionais, mediação e difusão, incluindo a incorporação de novos acervos e iniciativas como o catálogo Vestígios Visuais – As Pranchas Fotográficas do Museu Nacional. Conclusão: a reconfiguração da SEMEAR demonstra que, mesmo diante da destruição material extrema, a função arquivística pode permanecer ativa e socialmente relevante, reafirmando o arquivo como patrimônio cultural, espaço de produção de conhecimento e instância de reconstrução da memória institucional.
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