Salvador e Suas Cores
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<p>A revista “Salvador e Suas Cores” se apresenta em dossies temáticos compostos por trabalhos selecionados em evento homônimo. É publicada pelo ao grupo de pesquisa EtniCidades vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo. Objetiva dar visibilidade às pesquisas e experiencias acadêmicas (ensino e extensão) e contribuir ao debate mais amplo e qualificado sobre os nexos entre arquitetura, urbanismo e cidade e os atravessamentos com questões étnicos-raciais.<br />Área do conhecimento: Ciências Sociais Aplicadas – Qualis C: Arquitetura, Urbanismo, Design<br />ISSN (online): 2966-4322 - Periodicidade: Anual </p>Universidade Federal da Bahiapt-BRSalvador e Suas Cores2966-4322 ARTEFATOS PRETOS X ARQUITETURAS BRANCAS: MAPEAMENTOS DE MUSEUS AFRO-DIASPÓRICOS EM ARQUITETURAS COLONIAIS EM SALVADOR
https://revbaianaenferm.ufba.br/index.php/ssc/article/view/73039
<p>O artigo aborda os <strong>museus afro-diaspóricos e suas espacialidades</strong>, com foco na cidade de Salvador, que reúne o maior índice de população negra fora do continente africano. Apesar dessa centralidade na formação da diáspora, o patrimônio arquitetônico do seu centro histórico é majoritariamente colonial, reflexo do período em que a cidade foi capital da colônia portuguesa. Nesse contexto, muitos museus dedicados à memória e à cultura afro-brasileira estão sediados em edifícios coloniais, o que evidencia tensões entre <strong>arquiteturas brancas</strong>, marcadas pela escravidão, e <strong>artefatos pretos</strong>, que afirmam resistências e produções culturais negras. O trabalho questiona até que ponto essas arquiteturas, símbolos de dominação, podem abrigar de forma crítica e justa as memórias negras. Tem como objetivo discutir a problemática da implantação de museus da memória negra em edifícios coloniais, levantando contradições, apropriações e possibilidades de ressignificação desses espaços. A metodologia adotada consiste no mapeamento e fichamento de museus de Salvador que possuem acervos afro-diaspóricos em edificações coloniais. O estudo busca evidenciar o paradoxo espacial e sugerir caminhos de representação e autonomia arquitetônica para a construção desses lugares de memória.</p>Sueide Gonçalves Rosa
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2026-03-262026-03-2619TERRITÓRIOS NEGROS E A URBANIZAÇÃO DA ILHA DE ITAPARICA: UMA ABORDAGEM ÉTNICO-ESPACIAL E RELIGIOSA
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<p>O presente trabalho tem como objetivo discutir perspectivas de estudo com base na conceituação de territórios negros que se popularizam no cenário urbano de cidades brasileiras pelo nome de favelas. E a partir desse contexto problematizar o surgimento de novos territórios formados pela população afro-descendente provenientes de interstícios ocorridos pela modernidade urbana. Em vista disso, tem-se como proposta metodológica a priori debater a pluralidade enquanto essência da cultura brasileira que se apoia no direito à cidade assim como o processo de urbanização das metrópoles. Conjuntamente com essa discussão, aborda-se pontos do projeto urbanístico proposto para a Ilha de Itaparica para a preservação ambiental, cultural e a promoção do desenvolvimento sócio-econômico mais o territorial. Em seguida evidencia-se elementos histórico-sociais para elaboração conceitual dos patrimônios culturais da população negra bem como suas expressões na produção dos espaços rurais e urbanos. São discutidas no texto algumas estratégias utilizadas para isolar e controlar o convívio da população negra nos setores: social, econômico e habitacional. Por fim, é definida a compreensão de uma forma organizacional sócio-religosa de moradores da Ilha de Itaparica cujo os desdobramentos urbanos reverberou no surgimento de novos territórios negros provenientes da convivência ajustada pelos ideais da modernidade.</p>Carlos Ferreira da Silva Filho
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2026-03-262026-03-2619A CASA AGUDÁ: AUTONOMIA E AMBIGUIDADE
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<p>A arquitetura Agudá constitui um testemunho material da experiência dos retornados do Brasil ao Golfo do Benim. De modo recorrente, a historiografia tende a cercear suas formas a um deslocamento linear de modelos, seja como extensão de uma "brasilidade codificada", seja como importação exógena inconsequente. Afastando-se desse reducionismo, este artigo propõe uma crítica às categorias analíticas estabilizadas, demonstrando como a noção de uma origem fixa é insuficiente para abarcar sua complexidade. É proposta uma análise centrada na dupla dimensão da arquitetura. Por um lado, a fachada atua como dispositivo estratégico de visibilidade e distinção perante a ordem colonial. Por outro, espaço doméstico configura-se como arena de adaptação e reinvenção espacial. O potencial disciplinar da arquitetura Agudá sustenta-se por meio de sua ambiguidade produtiva, nomeadamente pela incorporação ativa de referências externas para negociar agência local. Conclui-se que a arquitetura Agudá deve ser encarada como um ensaio ambivalente de autonomia e modernidade, evidenciado pela relativa independência de suas formas, tanto em relação à matriz quanto aos seus introdutores.</p>Gabriel Weber
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2026-03-262026-03-2619QUILOMBISMO URBANO E A FEIRA LIVRE: TERRITORIALIZAÇÃO NEGRA E A PRODUÇÃO DO ESPAÇO NO TOMBA, FEIRA DE SANTANA
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<p>O presente artigo aborda o fenômeno do Quilombismo Urbano no bairro periférico do Tomba, em Feira de Santana/BA, buscando refutar a leitura do território apenas como uma área de carência e marginalidade. A pesquisa interroga como a população negra resiste à segregação socioespacial e produz seu próprio espaço, reivindicando o Direito à Cidade. O trabalho argumenta que a exclusão no Tomba é resultado da forma como o sistema capitalista utiliza a Raça para hierarquizar a Classe, tornando o território um campo de disputa simultânea de pertencimento social e racial. A resistência negra contemporânea no Tomba é analisada por três eixos de autogestão e autonomia : (i) Territorialização pela Ocupação, onde a autoconstrução e a "irregularidade" da forma urbana constituem uma "ordem espacial negra"; (ii) Resistência Identitária pela Fé, na qual os terreiros de Candomblé (como o Ilê Axé Odè Tuquê) funcionam como instituições políticas e vetores de Conservação Imaterial (Afoxé Flor de Ijeá); e (iii) A Feira Livre do Tomba, entendida como uma Economia da Resistência que garante a subsistência e a autonomia econômica do aquilombamento. Conclui-se que o Tomba é um território ativo de produção cultural, ancestralidade e organização autônoma.</p>Gabriela Santiago XavierAbimael Oliveira SilvaMara Rosane Días Goulart
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2026-03-262026-03-2619DIAMANG: CRIAÇÃO E CONTRANARRATIVAS
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<p>Este artigo parte da experiência de criação de um trabalho de arte, intitulado <em>Bruto</em>, realizado no ano de 2024 a partir de uma investigação poética pelos arquivos fotográficos, salvaguardados no Museu Nogueira da Silva, no distrito de Braga, em Portugal, da ex-maior companhia de extração de diamantes do mundo: Diamang, no período colonial em Angola. A partir da experiência de artista, este texto investiga a relação intrínseca-poética entre imagem, poder, negritude, resistência e como as noções políticas, históricas e contemporâneas se entrelaçam com gestos de artista.</p>Vítor de Souza Pereira Martins
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2026-03-262026-03-2619O CONCEITO DE AXÉ E SUA CENTRALIDADE NA PRODUÇÃO ESPACIAL DOS TERREIROS DE CANDOMBLÉ
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<p>Pensar a produção arquitetônica dentro do contexto do Candomblé, necessariamente evoca uma série de reflexões sobre a natureza destas espacialidades e a perspectiva de orientação filosófica e cultural destes grupos. Tanto o território que contém estes espaços quanto o espaço em si, possuem significações que transcendem uma perspectiva puramente materialista. Dentre os elementos que semantizam e conferem um caráter existencial sagrado a estas espacialidades, o axé se destaca enquanto principal vetor de sua estruturação. Neste sentido, o presente trabalho pretende discutir o papel do Asé enquanto elemento estruturante que orienta a existência destes grupos e, consequentemente, de sua produção arquitetônica. Para tanto, a partir dos resultados da pesquisa de mestrado realizada anteriormente, aliados à participação ativa junto à comunidade Omariô de Jurema e às revisões da literatura sobre o tema, pretendemos construir um panorama que explicite epistemologias próprias desta relação entre o axé e os espaços produzidos por estes grupos.</p>Pedro Teixeira Mendes Cabral
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2026-03-262026-03-2619INFLUÊNCIAS DO ISLAMISMO NO URBANISMO E NA ARQUITETURA DE SALVADOR
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<p>Este artigo investiga a influência muçulmana na arquitetura e no urbanismo de Salvador, Bahia, analisando duas matrizes históricas: a herança cultural lusitana, marcada pela presença moura na Península Ibérica; e o impacto direto da diáspora com a chegada dos africanos islamizados. A análise visa demonstrar que a relação do soteropolitano com a cidade e seu espaço é a materialização de uma memória que traduz as estruturas e os princípios simbólicos das medinas. A pesquisa utiliza a revisão bibliográfica como seu principal alicerce teórico, examinando como o legado mourisco, assimilado pela cultura portuguesa (séculos VIII–XV) e a contribuição direta de africanos islamizados (século XVIII) impactaram a estética construtiva e a organização socioespacial de Salvador. Conclui-se que Salvador é um paradigma de confluência civilizacional. A herança luso-mourisca se reflete em elementos arquitetônicos como azulejos, telhas mouriscas e a tecnologia da azenha. Já a herança dos povos em diáspora, os Imalês, introduziu uma matriz islâmica direta: estes africanos utilizaram o Islã como força coesiva sociopolítica e redefiniram a apropriação dos espaços urbanos (cantos e ruelas). Assim, o urbanismo, a arquitetura e a identidade social de Salvador carregam a memória simbólica e estrutural das cidades islâmicas, resultante do entrelaçamento dinâmico dessas manifestações étnico-culturais</p>Sophia Andrade de Oliveira
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2026-03-262026-03-2619MEDIAÇÕES CULTURAIS A PARTIR DE INSTRUMENTOS INTERNACIONAIS DE DIREITOS HUMANOS: CASO DE CONFLITOS DA POSSE DE TERRA DO POVO PEPEL NA REGIÃO DE BIOMBO/GUINÉ-BISSAU
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<p>Este artigo visa mapear as mediações a partir dos instrumentos internacionais de direitos humanos com relação aos conflitos da posse de terra do povo pepel na região de Biombo, Guiné Bissau. A metodologia utilizada no trabalho foi análise documental, revisão bibliografia sobre a temática e dados provenientes do estudo de campo. Pode-se perceber que a mediação de direitos humanos nos conflitos da posse de terra na região de Biombo influencia nos conflitos, devido aos desencontros destes direitos com os fundamentos da tradição local em que os régulos (autoridades locais) não possuem decisões ou mediações consideradas pela autoridade estatal. Verifica-se também que os maiores conflitos identificados são entre o povo pepel e balanta</p> <p> </p>Laila Nazem Mourad Nicandro Oquete Indi
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2026-03-262026-03-2619ENTRE RELIGIOSIDADES: UMA ANÁLISE A PARTIR DA ARQUITETURA DE TERREIROS EM SÃO JOÃO DEL-REI – MG
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<p>Este trabalho investiga a presença e a resistência das religiões de matriz africana em São João del-Rei - MG, buscando a compreensão dos processos de adaptação e sincretismo que permitiram a continuidade dessas tradições religiosas, mesmo diante da repressão e do apagamento histórico, perante o fato da cidade ser marcada pela colonização portuguesa e pela predominância do catolicismo. O artigo propõe uma reflexão de que além de perpetuar a memória e a identidade dos povos negros na cidade, os terreiros desempenham um papel essencial na sociedade através da preservação da natureza, uma vez que os cultos da Umbanda e do Candomblé estão profundamente ligados aos elementos naturais e ao respeito pelo meio ambiente.</p>Joyce Camargos NascimentoIsis Aparecida Capilupi PilarAmanda Martins Ramos
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2026-03-262026-03-2619TERRITÓRIOS NEGROS ENTRE A MEMÓRIA E A CRISE CLIMÁTICA: PERSPECTIVAS EM PORTO ALEGRE/RS
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<p>O artigo propõe uma reflexão sobre as relações entre Patrimônio Cultural Negro, mudanças climáticas e território urbano em Porto Alegre/RS, a partir da enchente de maio de 2024. O evento, mais do que um desastre natural, revelou as desigualdades raciais e territoriais que estruturam a cidade, atingindo de forma desproporcional as comunidades negras e periféricas. A análise parte da cosmo-percepção da água nas tradições afro-diaspóricas, compreendida como força criadora e destruidora, à luz da ecologia decolonial proposta por Malcom Ferdinand (2022). Dialoga com as noções de território e identidade (Vieira, 2017) e com o conceito de patrimônio afro-brasileiro como expressão viva de resistência (Velame, 2019). São abordados os impactos da gentrificação e a invisibilização dos patrimônios imateriais nos territórios negros, tomando como referência o Terreiro Mãe Ieda de Ogum, museus ligados à memória afro-gaúcha, entre outros espaços de resiliência, configurados como territórios negros. O método utilizado é a análise documental (Gil, 2002), baseada em registros jornalísticos e institucionais. Conclui-se que reconhecer o Patrimônio Cultural Negro como parte essencial da ecologia urbana é um passo fundamental para a construção de políticas de justiça climática e reparação histórica, onde as memórias se tornam lugares de reexistência e recriação coletiva.</p> <p><u> </u></p>Fabiana Ferreira SantosGustavo de Castro Pires
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2026-03-262026-03-2619PATRIMÔNIOS AFRICANOS E AFRO-DIASPÓRICOS EM ESPELHO
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<p>Apresentação da edição <strong>PATRIMÔNIOS AFRICANOS E AFRO-DIASPÓRICOS EM ESPELHO</strong></p>FABIO MACEDO VELAMEANY BRITO LEAL IVO
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