A estética do ódio: o grotesco e a desfiguração de Dilma Rousseff no Facebook de Olavo de Carvalho
DOI:
https://doi.org/10.9771/contemporanea.v24i1.71915Palavras-chave:
Arquivo Nato-Digital, Cultura Visual, Poder Ubuesco, Aleturgia Digital, GrotescoResumo
Este artigo analisa a construção visual do ódio e a desfiguração da imagem pública de Dilma Rousseff na página de Olavo de Carvalho no Facebook entre 2015 e 2016. A partir do conceito de cultura visual e da análise de um arquivo nato-digital, investiga-se como o dispositivo olavista instrumentalizou a iconosfera das redes para instaurar um regime de visibilidade pautado na infâmia e no rebaixamento da autoridade política. A fundamentação teórica articula o poder ubuesco e a anormalidade em Michel Foucault, o realismo grotesco em Mikhail Bakhtin e a noção de imagem-dado em Giselle Beiguelman. Por meio de uma análise qualitativa de postagens – envolvendo estratégias escatológicas, masculinização visual e narrativas teratológicas –, o estudo busca demonstrar que a eficácia do discurso dependeu da agência algorítmica e da formação de bolhas de filtros. Argumenta-se que a circulação viral do grotesco constituiu uma aleturgia visual, na qual o engajamento métrico validou rituais de manifestação da verdade que desumanizaram a adversária antes de qualquer reflexão crítica. Os resultados indicam que essa tecnologia de poder não apenas racionalizou o expurgo institucional da ex-presidenta, mas serviu como alicerce para o imaginário da nova direita brasileira, transformando a estética do nojo em uma ferramenta de controle biopolítico e radicalização do debate público contemporâneo.
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