Imagens suprimidas: a revista O Cruzeiro e o povo indígena Gavião Parkatêjê (1951)
DOI:
https://doi.org/10.9771/contemporanea.v24i1.71187Palabras clave:
Imagem, Fotojornalismo, Povos indígenas, Gavião Parkatêjê, Marcha para o OesteResumen
Este artigo analisa a reportagem “Índios em pé de guerra”, publicada por Arlindo Silva e José Medeiros na revista O Cruzeiro, em 1951. A matéria trata dos conflitos entre a população de vilas do sudeste do Pará e o povo indígena Gavião Parkatêjê. Esse fato se dá no contexto da Marcha para o Oeste no Brasil, quando o Estado e a sociedade brasileira promoveram um processo de expansão desenvolvimentista sobre territórios que integravam o chamado Brasil Central, afetando intensamente os povos indígenas. A revista O Cruzeiro desempenhou um papel fundamental naquele momento, explorando a temática indígena em várias fotorreportagens e contribuindo para a manutenção do imaginário sobre aqueles povos. O foco desta pesquisa está nas fotografias de José Medeiros, presentes na revista ou em arquivos institucionais, analisadas por meio das metodologias dos estudos de cultura visual e do cruzamento com fontes antropológicas e indigenistas. São examinadas as estratégias discursivas (seleção, enquadramento e montagem) utilizadas pela reportagem para construir uma representação estereotipada dos Gavião Parkatêjê como selvagens, hostis e obstáculos ao progresso. Também é enfatizado como a revista suprimiu fotografias que evidenciavam um processo epidêmico experimentado por aquele grupo. Por fim, o artigo compara a abordagem de O Cruzeiro com textos publicados na revista regional Itatocan, revelando divergências internas na sociedade brasileira quanto ao tratamento da questão indígena naquele contexto desenvolvimentista.
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