Como as Organizações Controlam Narrativas no Processo de Difamação Pública em Casos de Violação dos Direitos Humanos
Palavras-chave:
violação de direitos humanos, difamação pública, comitês de crise, escravidão, vinícolasResumo
A violação de direitos humanos e o trabalho análogo à escravidão continuam sendo problemas graves no setor privado. Quando esses escândalos se tornam públicos, instaura-se uma disputa narrativa entre a comunicação empresarial que busca mitigar danos reputacionais e as iniciativas de denúncia, difamação e boicote às organizações envolvidas. No entanto, o ambiente online permite que parte da sociedade defenda essas empresas, mesmo diante de acusações severas. Este trabalho tem como objetivo discutir a influência das disputas narrativas online na normalização de casos de violação de direitos humanos. A pesquisa baseou-se na Análise Crítica de Documentos, por meio da codificação de notas de esclarecimento, cartas abertas, notícias e tuítes sobre o escândalo de trabalho análogo à escravidão envolvendo uma empresa terceirizada e três grandes vinícolas brasileiras. As vinícolas recorreram a mecanismos já amplamente discutidos na literatura, como a negação dos fatos, a terceirização da responsabilidade e, posteriormente, tentativas de reparação. A pesquisa propõe que as disputas narrativas online contribuem para a normalização da violação de direitos humanos, ao evidenciar como estratégias organizacionais moldam a criação de narrativas que buscam anonimizar, relativizar, comparar seletivamente e construir contra narrativas em defesa das organizações. Tais estratégias fazem parte de um mecanismo discursivo que visa neutralizar iniciativas de denúncia, difamação e boicote, controlando o debate no espaço digital. No entanto, as ferramentas utilizadas pelos defensores das empresas acabam por distorcer o debate público, sem efetivamente enfrentar o persistente e grave problema da violação dos direitos humanos nas atividades empresariais.
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