Heterotopias na História do Parque Municipal de Belo Horizonte: da Moradia do Zelador a um Espaço Multiuso Inacabado
Palavras-chave:
espaço social, heterotopias, concebido-percebido-vivido, táticas, estratégiasResumo
Os espaços urbanos públicos, como os parques, estruturam as dinâmicas e complexas paisagens das cidades. Permeados e influenciados pelo processo histórico das sociedades, esses lugares acolhem uma variedade de finalidades, atendendo às necessidades e interesses de seus frequentadores. Nesse contexto, emergem as possibilidades heterotópicas, compreendidas como fenômenos que se manifestam nos espaços-tempo, favorecendo ou fomentando práticas que rompem ou ressignificam a produção do espaço social. Sob esse arcabouço teórico, o objetivo do artigo é apreender os processos heterotópicos que emergiram na produção e organização histórica de um espaço social no interior do Parque Municipal Américo Renné Giannetti, localizado em Belo Horizonte/MG. Propomos uma abordagem analítica fundamentada nos princípios das heterotopias de Foucault (2013), complementada pelas perspectivas teóricas de Lefebvre (1974) e De Certeau (1994). Argumentamos que a reprodução do espaço social é marcada por táticas e estratégias que transcendem os âmbitos formais, institucionais e moralmente aceitos, dando origem a “espaços outros” que desafiam e reconfiguram as estruturas hegemônicas concebidas pelos detentores do poder. Ao distanciarmos de uma visão generalista, nos concentramos na análise de um parque urbano público e, mais especificamente, em um espaço eminentemente heterotópico dentro dele. Investigamos suas características e percurso histórico, alinhando-nos à abordagem proposta por Martins, Corrêa e Carrieri (2023), que ressalta a relevância da chamada “administração menor”. Essa perspectiva, centrada no cotidiano, enfatiza as fissuras e os pontos de fuga criados pelas ações das pessoas comuns.
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