O duplo legado kantiano: cosmopolitismo e racismo

Autores

DOI:

https://doi.org/10.9771/rvh.v18i1.52027

Palavras-chave:

Kant, Cosmopolitismo, Racismo

Resumo

Kant é sem dúvida alguma o rosto da Ilustração. Na memória de uma filosofia e historiografia tradicional, seu nome é facilmente vinculado a palavras como: luz, razão, progresso e até cosmopolitismo. Contudo, perde-se de vista o fulcral papel que este filósofo desempenhou na postulação de uma hierarquia racial e seus inflamados discursos em favor do colonialismo e da escravidão. Como rosto da Ilustração, Kant também serve de um lembrete de que precisamos pensar o moderno e o colonial de forma dialética. O objetivo deste trabalho, portanto, é realizar um esforço hermenêutico através da História Intelectual, para compreender o clássico pilar das luzes ocidental como parte e expressão de seu tempo, de modo a identificar em sua filosofia da história um duplo legado que perpassa o seu próprio tempo: o ideal cosmopolita de uma paz perpétua e as chagas do racismo. 

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Publicado

2026-03-18