TERRITÓRIOS NEGROS ENTRE A MEMÓRIA E A CRISE CLIMÁTICA: PERSPECTIVAS EM PORTO ALEGRE/RS
Palavras-chave:
Relação Étnico-racial, Arquitetura, Patrimônio, Planejamento Urbano e Regional, Mudança-climáticaResumo
O artigo propõe uma reflexão sobre as relações entre Patrimônio Cultural Negro, mudanças climáticas e território urbano em Porto Alegre/RS, a partir da enchente de maio de 2024. O evento, mais do que um desastre natural, revelou as desigualdades raciais e territoriais que estruturam a cidade, atingindo de forma desproporcional as comunidades negras e periféricas. A análise parte da cosmo-percepção da água nas tradições afro-diaspóricas, compreendida como força criadora e destruidora, à luz da ecologia decolonial proposta por Malcom Ferdinand (2022). Dialoga com as noções de território e identidade (Vieira, 2017) e com o conceito de patrimônio afro-brasileiro como expressão viva de resistência (Velame, 2019). São abordados os impactos da gentrificação e a invisibilização dos patrimônios imateriais nos territórios negros, tomando como referência o Terreiro Mãe Ieda de Ogum, museus ligados à memória afro-gaúcha, entre outros espaços de resiliência, configurados como territórios negros. O método utilizado é a análise documental (Gil, 2002), baseada em registros jornalísticos e institucionais. Conclui-se que reconhecer o Patrimônio Cultural Negro como parte essencial da ecologia urbana é um passo fundamental para a construção de políticas de justiça climática e reparação histórica, onde as memórias se tornam lugares de reexistência e recriação coletiva.
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