A CASA AGUDÁ: AUTONOMIA E AMBIGUIDADE

Autores

  • Gabriel Weber

Palavras-chave:

tipologia, arquitetura Agudá, arquitetura afro-brasileira, projeto de arquitetura, história da arquitetura

Resumo

A arquitetura Agudá constitui um testemunho material da experiência dos retornados do Brasil ao Golfo do Benim. De modo recorrente, a historiografia tende a cercear suas formas a um deslocamento linear de modelos, seja como extensão de uma "brasilidade codificada", seja como importação exógena inconsequente. Afastando-se desse reducionismo, este artigo propõe uma crítica às categorias analíticas estabilizadas, demonstrando como a noção de uma origem fixa é insuficiente para abarcar sua complexidade. É proposta uma análise centrada na dupla dimensão da arquitetura. Por um lado, a fachada atua como dispositivo estratégico de visibilidade e distinção perante a ordem colonial. Por outro, espaço doméstico configura-se como arena de adaptação e reinvenção espacial. O potencial disciplinar da arquitetura Agudá sustenta-se por meio de sua ambiguidade produtiva, nomeadamente pela incorporação ativa de referências externas para negociar agência local. Conclui-se que a arquitetura Agudá deve ser encarada como um ensaio ambivalente de autonomia e modernidade, evidenciado pela relativa independência de suas formas, tanto em relação à matriz quanto aos seus introdutores.

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Publicado

2026-03-26

Como Citar

Weber, G. . (2026). A CASA AGUDÁ: AUTONOMIA E AMBIGUIDADE. Salvador E Suas Cores, 1(9). Recuperado de https://revbaianaenferm.ufba.br/index.php/ssc/article/view/73096