Primórdios da publicidade no Brasil sob o ponto de vista negro: representações visuais até o início do século XX
DOI:
https://doi.org/10.9771/contemporanea.v24i1.71904Palavras-chave:
Publicidade brasileira, Publicidade e Raça, Representação Visual Negra no BrasilResumo
O estudo examina, a partir de uma perspectiva racializada, como a publicidade se desenvolveu no Brasil entre o final do século XIX e o início do século XX. Tomamos como base dois aspectos centrais: os anúncios de pessoas escravizadas e os estereótipos de pessoas negras veiculadas nas imagens publicitárias, isso quando estas raramente apareciam. O objetivo é apresentar um quadro sobre os primórdios da publicidade no Brasil, identificando alguns tipos de anúncio que são ignorados em estudos sobre a história da publicidade no Brasil, atuando como um movimento de reparação. O problema da pesquisa fundamenta-se, justamente, nessa omissão, que acaba por apagar todo o processo de desumanização dos corpos de pessoas negras presente em tais anúncios, o que releva a necessidade de reforçar o debate sobre essas imagens, que não são vistas nem criticadas, mas que fazem parte de um conjunto iconográfico de representações de pessoas negras em território brasileiro. A hipótese sustenta que essa omissão é parte de um projeto epistemológico que naturaliza a branquitude como sujeito da comunicação e invisibiliza a presença negra para preservar uma narrativa de modernidade desvinculada da escravidão. A metodologia, baseada em uma análise documental, examina anúncios de pessoas escravizadas e peças publicitárias produzidas até o início do século XX, observando padrões de linguagem, estereótipos e deslocamentos representacionais. Os resultados indicam que a publicidade brasileira nasce vinculada à lógica escravista e reproduz estereótipos negativos ao longo da primeira metade do século XX, que são incorporados a um regime racializado de representação das pessoas negras brasileiras.
Downloads
Referências
ALKMIN, Tania. A fala como marca: escravos nos anúncios de Gilberto Freire. Scripta, v. 9, n. 18, p. 221-229, 2006.
ALVARES, João Vitor et al. A publicidade no Brasil e suas diretrizes. EDUCERE – Revista da Educação, v. 16, n. 2, p. 171-180, 2016.
AVELAR, Lucas Endrigo Brunozi. A moderação em excesso: estudo sobre a história das bebidas na sociedade colonial. Orientador: Henrique Soares Carneiro. 2010. Dissertação (Mestrado em História Social) – Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2010. Disponível em: https://teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8138/tde-08022011-151118/pt-br.html. Acesso em: 19 jul. 2026.
BRANCO, Renato Castelo. Breve história da propaganda no Brasil. Revista da ESPM – Escola Superior de Propaganda e Marketing, v. 1, n. 1, p. 89-96, 1994.
CARNEIRO, Aparecida Sueli. A construção do outro como não-ser como fundamento do ser. 2005. 339 f. Tese (Doutorado em Educação) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2005. Disponível em: https://repositorio.usp.br/item/001465832. Acesso em: 19 jul. 2026.
FERREIRA, Heloisa Souza. Dando voz aos anúncios: os escravos nos registros de jornais capixabas (1849-1888). Temporalidades – Revista Discente do Programa de Pós-Graduação em História da UFMG, v. 2, n. 2, p. 67-75, 2010.
FREYRE, Gilberto. O escravo nos anúncios de jornais brasileiros do século XIX. 2. ed. aum. São Paulo: Editora Nacional; Recife: Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais, 1979.
FREYRE, Gilberto. Casa-grande & senzala: formação da família brasileira sob o regime da economia patriarcal. São Paulo: Global, 2003.
GOMES, Laurentino. Fugitivos e rebeldes. In: GOMES, Laurentino. Escravidão: da corrida do ouro em Minas Gerais até a chegada da corte de dom João ao Brasil. v. 2. Rio de Janeiro: Globo Livros, 2021. p. 379-400.
GONZALEZ, Lélia. Racismo e sexismo na cultura brasileira. In: RIOS, Flávia; LIMA, Márcia. (org.). Por um feminismo afro-latino-americano: ensaios, intervenções e diálogos. 1. ed. Rio de Janeiro: Zahar, 2020. p. 75-93.
HALL, Stuart. Cultura e representação. Rio de Janeiro: Ed. PUC-Rio: Apucuri, 2016.
LOPES, Maria Immacolata Vassalo. Pesquisa em comunicação. 12. ed. São Paulo: Edições Loyola, 2014.
LOURENÇO, Bárbara Pilati. A propaganda contra-intuitiva e a reflexão sobre o preconceito. Orientadora: Carla Cândida Rizzotto. 2010. 109 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Comunicação Social – Habilitação em Publicidade e Propaganda) — Setor de Ciências Humanas, Letras e Artes, Universidade Federal do Paraná, 2010. Disponível em: https://acervodigital.ufpr.br/handle/1884/52872. Acesso: 19 jul. 2026.
MARCONDES, Pyr. Uma história da propaganda brasileira: as melhores campanhas, gênios da criação, personagens. 2. ed. Rio de Janeiro: Ediouro, 2001.
NASCIMENTO, Beatriz. Kilombo. In: RATTS, Alex. (org.). Uma história feita por mãos negras. Rio de Janeiro: Zahar, 2021. p. 247-251.
OLIVEIRA, Dennis de Oliveira. Racismo Estrutural: uma perspectiva histórico-crítica. São Paulo: Editora Dandara, 2021a.
OLIVEIRA, Ohana Boy. Contribuições para descolonização do pensamento na Comunicação. Cambiassu: Estudos em Comunicação, v. 16, n. 27, p. 221-241, 2021. Doi: 10.18764/2176-5111v16n27.2021.11.
PEREIRA, Geraldo. A nutrição e a saúde do escravo: comentários em torno da anunciologia gilbertiana. Ciência & Trópico, v. 17, n. 1, p. 51-62, 1989.
SALES, Eliana. Aspectos da história do álcool e do alcoolismo no século XIX. Cadernos de História UFPE – Revista do Departamento de História da Universidade Federal de Pernambuco, v. 7, n. 7, p. 167-203, 2010.
SODRÉ, Muniz. A ciência do comum: notas para o método comunicacional. Petrópolis: Vozes, 2014.
SOUZA, Neusa Santos. (1983). Tornar-se negro: ou as vicissitudes da identidade do negro brasileiro em ascensão social. [S. l.]: Lebooks, 2019.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 Pedro Henrique Conceição dos Santos

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Os autores que publicam nessa revista devem concordar com os seguintes termos relativos aos Direitos Autorais:
Autores mantêm os direitos autorais e concedem à revista Contemporanea e à Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a Licença Creative Commons Attribution 4.0 (CC BY 4.0) que permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista.
Autores têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não-exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (ex.: publicar em repositório institucional ou como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista.
Autores têm permissão e são estimulados a publicar e distribuir seu trabalho online (ex.: em repositórios institucionais ou na sua página pessoal), já que isso pode gerar alterações produtivas, bem como aumentar o impacto e a citação do trabalho publicado.