Editorial
DOI:
https://doi.org/10.9771/cp.v19i2.70148Palavras-chave:
EditorialResumo
Editorial
Ao assumir a palavra neste editorial, gostaria de propor uma reflexão sobre o papel das universidades públicas na consolidação dos ecossistemas de inovação e no desenvolvimento socioeconômico brasileiro. Como alguém que integra ativamente esse ambiente – e tendo trilhado um caminho que se iniciou na universidade pública –, compreendo que a força de uma instituição de ensino, pesquisa, extensão e inovação não reside apenas na sua expansão territorial, mas também na sua capacidade de transformar conhecimento em impacto real e cotidiano.
Nesse sentido, os dados recentes da Unesp reforçam essa percepção de maturidade e excelência. Criada em 1976 com o propósito de interiorizar o ensino superior em São Paulo, a universidade consolidou-se como uma das maiores instituições de ensino superior da América Latina, conta com 34 unidades em 24 municípios paulistas e alcança, em seu entorno regional, uma população superior a 20 milhões de pessoas.
Essa robustez acadêmica se traduz em liderança global. É com satisfação que observamos a Unesp figurar como a Top 1 no mundo no ODS 9 (Indústria, Inovação e Infraestrutura) no Times Higher Education (THE) Impact Rankings 2025, entre mais de 2.300 instituições. Ainda sustenta a liderança nacional no mesmo ranking em 2023, 2024 e 2025. Esse reconhecimento é fruto de um trabalho acumulado que estruturou um ecossistema sólido, composto de Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT) – a Agência Unesp de Inovação (AUIN) –, mais de 60 ambientes de inovação, centros de pesquisa, parques tecnológicos, aceleradoras e incubadoras. Os resultados são marcos expressivos, como o registro de três patentes a cada 10 dias e dois novos contratos de transferência de tecnologia por semana nos últimos quatro anos.
A ciência que defendemos e praticamos é aquela que chega ao cotidiano. Ela está presente nos alertas meteorológicos em tempo real do Centro de Meteorologia de Bauru/Unesp (IPMet), nas pesquisas em bioenergia do Instituto de Pesquisa em Bioenergia/Unesp (IPBEN) e no desenvolvimento de alimentos biofortificados pelo Centro de Raízes e Amidos Tropicais/Unesp (Cerat). Seja na clonagem da bezerra "Penta" – o primeiro clone da América Latina, realizado na Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias (FCAV/Unesp), na descoberta de novas espécies da biodiversidade ou em novos tratamentos para a Doença de Chagas, o foco permanece o mesmo: produzir com qualidade e impacto.
Um exemplo concreto dessa missão é o fortalecimento do Profnit na Unesp. Os dados de nossos processos seletivos demonstram um crescimento sustentável: em 2025, oferecemos 12 vagas com uma relação de 2,5 candidatos por vaga, resultando em 10 matriculados. Para 2026, expandimos para 15 vagas, com 31 inscritos, 19 aprovados e 15 matriculados, mantendo uma procura sólida.
Mais do que números, a vitalidade do programa se reflete nas dissertações e produtos técnico-tecnológicos da nossa primeira turma que enfrentam desafios reais de diversas instâncias. Projetos como o estudo de viabilidade para um Hub de Biotecnologia em Botucatu, a valoração de software para diagnóstico de brucelose (SCAB), o diagnóstico para a Indicação Geográfica do Mel da Cuesta Paulista e a análise de infrações de patentes no TJSP demonstram a aplicação prática do conhecimento. Nossos mestrandos atuam em frentes que vão desde o mapeamento de genótipos de Cannabis sativa para fins medicinais até a gestão de ativos de TI em Bauru e o fomento à cultura da inovação em Rio Claro e em Botucatu, sempre em diálogo com prefeituras, empresas privadas e associações.
Assim como os números desta edição da Cadernos de Prospecção revelam uma comunidade científica conectada e diversa, os indicadores institucionais que apresento mostram que a universidade pública brasileira é o motor fundamental para que a inovação não seja uma "ferramenta de nicho" e sim um modo de pensar o país. Com mais de 75 mil mestres e doutores formados nos últimos cinco anos, e com 55% de nossos estudantes vindos da escola pública – como eu –, reafirmamos o compromisso de formar profissionais éticos e capazes de atuar na fronteira do conhecimento.
Convido vocês a explorarem os artigos deste número, são 22 artigos, 68 autores, 25 instituições de 14 estados, das cinco regiões do país, com o mesmo rigor e curiosidade que dedicamos à construção da nossa instituição, hoje cinquentenária. Que as evidências e análises aqui apresentadas provoquem novas perguntas e, sobretudo, orientem decisões que promovam um futuro mais sustentável e inovador.
Boa leitura!
Professor Dr. Saulo Guerra
Diretor da Agência Unesp de Inovação
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