Trajetórias de Parentalidade
invenções e desobediências de pessoas trans e não binárias
DOI:
https://doi.org/10.9771/peri.v1i24.61775Resumo
A parentalidade, embora amplamente estudada, ainda é lida por um modelo normativo que não abarca a complexidade das práticas de cuidado. As experiências de pessoas trans e não binárias, em geral invisibilizadas, expõem essa insuficiência. Este estudo qualitativo, transversal e retrospectivo investigou as trajetórias de duas mulheres trans e uma pessoa não binária no exercício da parentalidade, examinando singularidades, barreiras e estratégias acionadas em contextos de exclusão familiar, vulnerabilidade econômica e precariedade institucional. A análise mostrou que o cuidado não é o cumprimento de um papel predefinido, mas um processo inventivo e relacional, pautado por negociações, improvisos e alianças instáveis. Tais experiências revelam que toda parentalidade é performativa e permeável a fissuras e desvios. Os resultados apontam a necessidade de políticas inclusivas, formação de profissionais de saúde e redes de apoio que legitimem estas muitas formas de fazer família.
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