Editorial

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https://doi.org/10.9771/cp.v19i3.71761

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Editorial

Resumo

Transformar agora para dialogar com o futuro da inovação

 Em um tempo em que a inovação redefine a trajetória da humanidade e ressignifica a forma de produzir ciência, conhecimento e educação, estrutura novos mercados e territórios e o modo de vida, a Revista Cadernos de Prospecção publica sua edição de junho de 2026 reafirmando seu compromisso com uma agenda estratégica, plural e socialmente relevante.

A edição de junho de 2026 chega em um momento particularmente significativo no cenário global, quando a inovação deixou de ser compreendida apenas como geração de novas tecnologias. O centro do debate desloca-se, cada vez mais, para a capacidade de transformar conhecimento em valor social, econômico, ambiental e cultural; de difundir tecnologias de forma responsável; de proteger ativos intelectuais sem restringir a circulação qualificada do saber; e de construir sistemas de inovação mais inclusivos, sustentáveis e estratégicos.

É nesse contexto que esta edição deve ser lida. Ela reúne 22 artigos, assinados por 70 autoras e autores, vinculados a 18 instituições, distribuídas por 13 estados e das cinco regiões do Brasil. Esses números expressam a diversidade, a capilaridade e a vitalidade da produção científica nacional nas áreas de prospecção tecnológica, propriedade intelectual, transferência de tecnologia, inovação e desenvolvimento.

Os temas aqui publicados dialogam diretamente com alguns dos grandes movimentos contemporâneos: inteligência artificial, agricultura de precisão, bioimpressão, saúde pública, governança universitária, indústria de games, farmácia hospitalar, inteligência policial, segurança no agronegócio, bioeconomia, sustentabilidade, biocarvão, ativos naturais, Indicações Geográficas, agricultura familiar, Núcleos de Inovação Tecnológica e políticas públicas de inovação. Essa pluralidade revela que a inovação não está restrita aos laboratórios, às empresas de base tecnológica ou aos depósitos de patentes. Ela também se manifesta nos territórios, nas instituições públicas, nas cadeias produtivas tradicionais, nas práticas educacionais, na gestão universitária, nos sistemas de saúde, na segurança, na cultura e na valorização de identidades locais.

Em junho de 2026, esse debate torna-se ainda mais oportuno, pois a inteligência artificial passou a reorganizar profundamente a pesquisa, a escrita científica, a análise de dados, a prospecção tecnológica, a gestão editorial e a avaliação acadêmica. Ela já não pode ser tratada apenas como ferramenta instrumental, mas como uma infraestrutura cognitiva que altera modos de produzir, validar, circular e aplicar conhecimento. Para uma revista dedicada à prospecção, à propriedade intelectual e à inovação, esse cenário impõe uma responsabilidade adicional: promover reflexões críticas, metodologicamente consistentes e socialmente responsáveis sobre os usos, os limites e os impactos dessas tecnologias.

Também é relevante observar que a Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI/WIPO), em debate recente sobre difusão tecnológica, tem chamado atenção para uma questão central: tecnologias não produzem impacto apenas por existirem. Elas precisam circular, ser apropriadas, adaptadas, reguladas, financiadas, compreendidas e incorporadas por diferentes atores sociais e econômicos. A propriedade intelectual, nesse sentido, não deve ser vista apenas como mecanismo de proteção, mas como parte de uma arquitetura mais ampla de desenvolvimento, capaz de articular criatividade, inovação, transferência de tecnologia, confiança institucional e competitividade.

Essa perspectiva dialoga diretamente com a missão da Cadernos de Prospecção que é contribuir para compreender como o conhecimento científico se transforma em capacidade institucional, em estratégia produtiva, em solução tecnológica e em desenvolvimento social. A edição atual demonstra, com clareza, que o Brasil possui uma agenda científica plural e territorialmente distribuída, capaz de dialogar com tendências internacionais sem perder de vista suas especificidades regionais.

Outro eixo fundamental deste momento é a ciência aberta. A ampliação do acesso, da reutilização e da circulação do conhecimento científico tornou-se condição para a credibilidade, a transparência e o impacto das revistas acadêmicas. Ciência aberta não significa apenas disponibilizar artigos. Envolve qualidade dos metadados, interoperabilidade, integridade acadêmica, preservação digital, dados acessíveis quando possível, transparência editorial e diálogo com a sociedade. Nesse sentido, os avanços editoriais deste periódico não são meros ajustes técnicos: são parte de uma transformação necessária para que a revista esteja alinhada aos padrões contemporâneos da comunicação científica.

Por isso, vivemos um momento de transformação de nossa revista. Transformar agora significa preparar a Cadernos de Prospecção para uma nova etapa de visibilidade, internacionalização e relevância. Significa aperfeiçoar fluxos de submissão e avaliação, fortalecer a revisão por pares, qualificar a editoração científica, avançar na adoção de padrões, ampliar a consistência dos metadados, fortalecer o Conselho Editorial e criar condições para maior inserção em bases indexadoras nacionais e internacionais. Mais do que buscar reconhecimento formal, trata-se de ampliar a capacidade de circulação, leitura, citação e impacto dos estudos publicados.

Esse movimento também se relaciona a uma agenda mais ampla de soberania digital e cooperação internacional. Em um mundo marcado pela disputa por dados, infraestrutura digital, inteligência artificial, cibersegurança e tecnologias estratégicas, a produção científica precisa participar do debate sobre governança, confiança, regulação e desenvolvimento. A inovação contemporânea exige cooperação, mas também exige capacidade própria de produzir conhecimento, formar especialistas, proteger ativos, interpretar tendências e orientar políticas públicas.

A Cadernos de Prospecção ocupa, portanto, um lugar importante nesse ecossistema. Sua contribuição está em reunir pesquisas que conectam ciência, tecnologia, propriedade intelectual, inovação e sociedade. A edição de julho de 2026 reafirma essa vocação ao apresentar uma produção diversa, aplicada e comprometida com os desafios reais do país.

Registramos nosso agradecimento às autoras e aos autores, às avaliadoras e aos avaliadores, às editoras e aos editores, à equipe técnica, às instituições parceiras e às leitoras e aos leitores. Esta edição também anuncia a publicação de um segundo editorial, de caráter especial, em homenagem ao Professor Eduardo Winter, cuja trajetória contribuiu de forma decisiva para o campo da propriedade intelectual, para a pós-graduação brasileira e para a área interdisciplinar da Capes.

Que esta edição fortaleça o diálogo científico e inspire novas pesquisas capazes de transformar conhecimento em desenvolvimento, inovação em inclusão e propriedade intelectual em estratégia para o futuro.

 

Professor Dr. Eduardo Meireles

Coordenador Nacional do Profnit

Editor-Chefe da Revista Cadernos de Prospecção

Professor da Universidade do Estado de Minas Gerais

Professor no Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza

 

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Biografia do Autor

Eduardo Meireles, Universidade do Estado de Minas Gerais

Doutor em Engenharia Urbana pela Universidade Federal de São Carlos.

 

Publicado

2026-07-01

Como Citar

Meireles, E. (2026). Editorial. Cadernos De Prospecção, 19(3), 1–2. https://doi.org/10.9771/cp.v19i3.71761

Edição

Seção

Editorial