Chamada para submissão - V. 18, n. 1: Administração Política e o Declínio da Ordem Liberal

2026-01-22

Um dos principais diagnósticos sobre nosso tempo presente sugere uma fase de declínio da assim chamada “ordem liberal” que regulou e orientou a gestão das relações sociais de produção, consumo e distribuição entre as nações desde a Segunda Guerra Mundial.

A ascensão de governos reacionários ao poder político, na atualidade, acompanhada dos desacordos comerciais e tarifários e de acontecimentos bélicos, ou quase beligerantes, em quase todos os continentes, formam o principal sintoma. Como consequência, observa-se os seguintes efeitos imediatos: enfraquecimento ou destruição, em alguns casos, dos institutos multilaterais, protecionismo recuperado, em graus variados, e a reevocação e renovação de doutrinas imperialistas. Deste modo, pode-se observar que  a disputa que coroa o choque entre as nações não se dá apenas no plano das altas tecnologias (como robótica, chips e Inteligência Artificial), mas mantém a tradicional disputa por acesso aos mercados consumidores, às rotas marítimas e às fontes de recursos naturais como petróleo e os chamados “minerais raros” - meios fundamentais para garantir os avanços e sustentabilidade da Revolução 4.0 que atualiza as tradicionais e novas disputas por novos padrões de gestão das relações sociais de produção social global . Esse cenário evidencia, pois, os múltiplos e variados sinais do tempo presente e futuro.

Dado o conjunto complexo de elementos apontados, a direção dos acontecimentos  aponta para um recuo das relações sociais de produção no mercado mundial e, ao mesmo tempo, para uma expansão e controle territorial. De certo modo, essa dinâmica  reflete ocorrências historicamente conhecidas  que estão sendo reeditadas como respostas para a superação das questões atuais, de forma  modificada. Essa mudança abrupta traz óbvias implicações endógenas e exógenas para os países per si  e também para suas redes de alianças estratégicas. Considerando essas transformações, há fortes expectativas de significativas alterações na divisão internacional do trabalho ou uma reorganização das cadeias de valor que reorientarão as relações econômicas internacionais e nacionais. Tais consequências far-se-ão considerar a emergência de novos padrões de administração política, em âmbito global, regional e territorial.

Dado esse contexto, a Revista Brasileira de Administração Política - REBAP incentiva a comunidade acadêmica e à sociedade à submissão de artigos para sua nova edição  contemplando o tema “Administração Política e o Declínio da Ordem Liberal”. O objetivo desta edição é atualizar o debate que os estudos sobre essa temática vem sendo feito por diversos acadêmicos, desde o início dos anos de 1990 (recomenda-se pesquisar os números anteriores do periódico https://periodicos.ufba.br/index.php/rebap/issue/archive) e fomentar novos e atuais  debates sobre as implicações dessas mudanças disruptivas para os padrões vigentes de administração política do capitalismo global, regional e nacional, considerando contextos e perspectivas diferenciadas.

Sob a cobertura das bases onto-epistêmicas e teóricas da administração política difundidas na REBAP  e em diversas estudos desenvolvidos sobre o tema em diversos programas de pós-graduação em administração e áreas afins, incentiva-se o desenvolvimento de abordagens variadas sobre a “Administração Política e o Declínio da Ordem Liberal”  (abordagens epistemológicas, teóricas, históricas, comparadas, descritivas, propositivas, etc.,) que contribuam para a interpretação crítica do tempo presente  observando os rearranjos potenciais e em andamento e as implicações para a administração política do capitalismo contemporâneo ou dos países mundialmente afetados por essa nova dinâmica das relações sociais de produção em curso.

As questões apresentadas a seguir visam orientar a escolha do tema, sem intenção de limitar o debate sobre um fenômeno social que se encontra  em curso e, portanto,  aberto.

  • Quais as contribuições da administração política para(re)pensar novos modos de gestão do capitalismo contemporâneo, em âmbito global, regional e nacional?
  • De que forma o enfraquecimento das instituições multilaterais e a ressurreição de políticas protecionistas estão reconfigurando o padrão de administração política nos planos nacional e internacional?
  • Como os Estados estão se reorganizando internamente e em suas alianças estratégicas para enfrentar (ou aproveitar) a potencial redivisão internacional do trabalho e a reorganização das cadeias globais de valor?
  • Quais novos desafios e arranjos de administração política emergem ou podem emergir da nova competição por recursos estratégicos (como minerais raros, energia e rotas logísticas) e pelo domínio tecnológico?
  • Como as doutrinas políticas reacionárias, nacionalistas ou neo imperialistas estão moldando padrões de gestão e estruturas de governança em diferentes países e regiões?
  • Que lições históricas ou comparações internacionais podem iluminar os caminhos da administração política global, regional e nacional neste contexto de ruptura, transição e incertezas?

As submissões devem ocorrer até 15 de abril de 2026 e observando as orientações de envio, disponiveis no site da revista: https://periodicos.ufba.br/index.php/rebap/about/submissions