Oscilações sem ruptura: a estabilidade adaptativa do neoliberalismo no Brasil
DOI:
https://doi.org/10.9771/rebap.v18i1.73747Palavras-chave:
Administração Política, Heurística, Milton Santos, NeoliberalismoResumo
Este artigo propõe um modelo heurístico de natureza não linear para interpretar a dinâmica de consolidação do neoliberalismo no Brasil enquanto forma de Administração Política. Inspirado na transposição controlada de conceitos da mecânica de sistemas dinâmicos, o modelo busca compreender a resiliência desse projeto a partir da modulação das tensões sociais, da redução do atrito institucional e da fragmentação dos conflitos distributivos. A análise dialoga com a concepção de espaço e sociedade de Milton Santos, com o conceito de Administração Política formulado por Reginaldo Souza Santos e Elizabeth Matos Ribeiro, e com a interpretação do neoliberalismo como racionalidade adaptativa desenvolvida por Daniel Pereira Andrade. Argumenta-se que o neoliberalismo brasileiro opera em regimes dinâmicos subamortecidos, nos quais oscilações persistentes não produzem ruptura, mas sustentam uma estabilidade adaptativa. Ademais, a interação entre crises recorrentes e intervenções institucionais de alta frequência gera efeitos cumulativos que permitem transformações profundas sem necessidade de choques disruptivos. O modelo sugere, assim, que o neoliberalismo se consolida como uma forma capilar de governança, capaz de se reproduzir no interior das próprias contradições do capitalismo brasileiro.
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