Oscilações sem ruptura: a estabilidade adaptativa do neoliberalismo no Brasil

Autores

DOI:

https://doi.org/10.9771/rebap.v18i1.73747

Palavras-chave:

Administração Política, Heurística, Milton Santos, Neoliberalismo

Resumo

Este artigo propõe um modelo heurístico de natureza não linear para interpretar a dinâmica de consolidação do neoliberalismo no Brasil enquanto forma de Administração Política. Inspirado na transposição controlada de conceitos da mecânica de sistemas dinâmicos, o modelo busca compreender a resiliência desse projeto a partir da modulação das tensões sociais, da redução do atrito institucional e da fragmentação dos conflitos distributivos. A análise dialoga com a concepção de espaço e sociedade de Milton Santos, com o conceito de Administração Política formulado por Reginaldo Souza Santos e Elizabeth Matos Ribeiro, e com a interpretação do neoliberalismo como racionalidade adaptativa desenvolvida por Daniel Pereira Andrade. Argumenta-se que o neoliberalismo brasileiro opera em regimes dinâmicos subamortecidos, nos quais oscilações persistentes não produzem ruptura, mas sustentam uma estabilidade adaptativa. Ademais, a interação entre crises recorrentes e intervenções institucionais de alta frequência gera efeitos cumulativos que permitem transformações profundas sem necessidade de choques disruptivos. O modelo sugere, assim, que o neoliberalismo se consolida como uma forma capilar de governança, capaz de se reproduzir no interior das próprias contradições do capitalismo brasileiro.

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Publicado

2026-06-30

Como Citar

SILVA, E. de S. Oscilações sem ruptura: a estabilidade adaptativa do neoliberalismo no Brasil. Revista Brasileira de Administração Política, [S. l.], v. 18, n. 1, p. 46–63, 2026. DOI: 10.9771/rebap.v18i1.73747. Disponível em: https://revbaianaenferm.ufba.br/index.php/rebap/article/view/73747. Acesso em: 10 jul. 2026.