Governança em Parcerias Público-Privadas: desafios da participação social e da legitimidade em ambientes híbridos
DOI:
https://doi.org/10.9771/rebap.v18i1.73805Palavras-chave:
Governança Pública, Parcerias Público-Privadas, Participação Social, Eficiência Contratual, LegitimidadeResumo
As Parcerias Público-Privadas (PPPs) têm sido amplamente utilizadas como instrumentos político-institucionais e técnico-operacionais de viabilização de investimentos públicos, mas enfrentam desafios persistentes relacionados à legitimidade e à governança em contextos marcados por assimetrias estruturais. Este artigo analisa a governança em PPPs a partir da articulação entre Administração Política, Gestão Social e Teoria dos Custos de Transação, propondo uma releitura da participação social como variável técnico-operacional para a sustentabilidade contratual. A partir de estudo de caso da PPP da Ponte Salvador–Ilha de Itaparica, com base em análise documental e evidências empíricas oriundas de audiência pública, demonstra-se que a exclusão das comunidades como sujeitos políticos não apenas compromete a legitimidade social, mas eleva custos de transação, intensifica riscos regulatórios e compromete a eficiência contratual. O artigo contribui ao demonstrar que a participação social qualificada atua como variável técnico-operacional na governança de PPPs, e não como exigência normativa acessória. Conclui-se pela necessidade de ampliar o repertório teórico-metodológico da administração em contextos híbridos, incorporando abordagens críticas que integrem dimensões técnicas e sociopolíticas. Em cenário de emergência climática e agravamento das desigualdades, recomenda-se a incorporação de mecanismos participativos substantivos como componente estruturante da governança, com vistas à redução de riscos socioterritoriais e à qualificação do gasto público.
Downloads
Referências
AKOTIRENE, Carla. Interseccionalidade. São Paulo: Pólen, 2019.
ANSELL, Chris; GASH, Alison. Collaborative governance in theory and practice. Journal of Public Administration Research and Theory, v. 18, n. 4, p. 543–571, 2008.
BEVIR, Mark. Democratic governance. Princeton: Princeton University Press, 2010.
BOMFIM, I. R. Governança em parcerias público-privadas: análise dos desafios da participação social e da legitimidade em ambientes híbridos. 2025. 84 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Administração de Empresas) – Escola de Administração, Universidade Federal da Bahia, Salvador, 2025.
BRASIL. Lei nº 11.079, de 30 de dezembro de 2004. Institui normas gerais para licitação e contratação de parceria público-privada no âmbito da administração pública. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 31 dez. 2004.
BRASIL. Ministério Público Federal. Procuradoria da República na Bahia. Edital de Convocação para Audiência Pública nº 1/2025 – PR-BA00031290/2025. Salvador: MPF, 2025.
CANÇADO, Airton Cardoso. Fundamentos teóricos da gestão social. 2011. Tese (Doutorado em Administração) – Universidade Federal de Lavras, Lavras, 2011.
CRETELLA NETO, José. Comentários à Lei de Parcerias Público-Privadas – PPPs. Rio de Janeiro: Forense, 2005.
FRANÇA FILHO, Genauto Carvalho de. A via sustentável-solidária no desenvolvimento local. Organizações & Sociedade, Salvador, v. 15, n. 45, p. 219–232, 2008.
FRANÇA FILHO, Genauto Carvalho de. Gestão social: um conceito em construção. In: COLÓQUIO INTERNACIONAL SOBRE PODER LOCAL, 9., 2004, Salvador. Anais... Salvador: CIAGS/UFBA, 2004.
FRANÇA FILHO, Genauto Carvalho de; EYNAUD, Philippe. Solidariedade e organizações: pensar uma outra gestão. Salvador: EDUFBA; Ateliê de Humanidades, 2020.
HIBOU, Béatrice. La bureaucratisation du monde à l'ère néolibérale. Paris: La Découverte, 2012.
JESSOP, Bob. The rise of governance and the risks of failure: the case of economic development. International Social Science Journal, v. 50, n. 155, p. 29–45, 1998.
KOOIMAN, Jan. Governing as governance. London: SAGE Publications, 2003.
MAZZUCATO, Mariana. O valor de tudo: fazer e tirar na economia global. Lisboa: Temas e Debates, 2019.
OSTROM, Elinor. Beyond markets and states: polycentric governance of complex economic systems. American Economic Review, v. 100, n. 3, p. 641–672, 2010b.
OSTROM, Elinor. Governing the commons: the evolution of institutions for collective action. Cambridge: Cambridge University Press, 1990.
PAMPHILO, Renata Melo. Governança em parcerias público-privadas: limites e desafios da gestão de riscos da Secretaria de Saúde do Estado da Bahia. 2021. 103 f. Dissertação (Mestrado em Administração) – Escola de Administração, Universidade Federal da Bahia, Salvador, 2021.
PINTO, Tainá Rodrigues Gomide Souza; MARTINS, Simone; LEONEL, Danielle Silveira; CKAGNAZAROFF, Ivan Beck. Governança participativa: possibilidades e desafios na gestão local. Interações, Campo Grande, v. 19, n. 3, p. 627–641, 2018.
RADAR PPP. iRadarPPP – Análise da Radar de Projetos de março de 2025. [S.l.], mar. 2025.
RAMOS, Alberto Guerreiro. A nova ciência das organizações: uma reconceituação da riqueza das nações. Rio de Janeiro: FGV, 1981.
RHODES, R. A. W. The new governance: governing without government. Political Studies, v. 44, p. 652–667, 1996.
RIBEIRO, Elizabeth Matos; RIBEIRO, Mônica Matos; FONSECA, Francisco César Pinto da. Administração política: contribuições para o debate teórico-analítico e empírico da administração contemporânea. Revista de Administração Contemporânea, v. 28, n. 5, e240087, 2024.
SANTOS, Reginaldo Souza (org.). A administração política como campo do conhecimento. 2. ed. rev. São Paulo-Salvador: Hucitec; Mandacaru; FEA/UFBA, 2009.
SANTOS, Reginaldo Souza; RIBEIRO, Elizabeth Matos; RIBEIRO, Mônica Matos; SANTOS, Thiago Chagas Silva; COSTA, Vinicius Mendes da. Reestruturação produtiva do Estado brasileiro na perspectiva do projeto neoliberal. Revista de Administração Pública, Rio de Janeiro, v. 38, n. 1, p. 7–32, 2004.
SANTOS, Reginaldo Souza; RIBEIRO, Elizabeth Matos; RIBEIRO, Mônica Matos; PINTO, Fabiane Louise Bitencourt. Administração política e políticas públicas: em busca de uma nova abordagem teórico-metodológica. Cadernos EBAPE.BR, Rio de Janeiro, v. 15, n. 4, p. 939–959, 2017.
SKELCHER, Chris; SMITH, Steven Rathgeb. Theorizing hybridity: institutional logics, complex organizations, and actor identities: the case of nonprofits. Public Administration, v. 93, n. 2, p. 433–448, 2015.
TAYLOR, Frederick Winslow. Princípios de administração científica. 8. ed. São Paulo: Atlas, 1990.
TENÓRIO, Fernando Guilherme; ARAÚJO, Edgilson Tavares de. Mais uma vez o conceito de gestão social. Cadernos EBAPE.BR, Rio de Janeiro, v. 18, n. 4, p. 895–905, 2020.
THAMER, Rogério; OGASAVARA, Marcelo H. Parcerias público-privadas: construindo relações entre sua governança e custos de transação. Revista Eletrônica de Ciência Administrativa, Curitiba, v. 22, n. 1, p. 40–65, 2023.
WEBER, Max. Economia e sociedade: fundamentos da sociologia compreensiva. Volume 2. Brasília: Editora Universidade de Brasília; São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 1999.
WILLIAMSON, Oliver E. Markets and hierarchies: analysis and antitrust implications. New York: The Free Press, 1975.
WILLIAMSON, Oliver E. The economic institutions of capitalism. New York: Free Press, 1985.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 Revista Brasileira de Administração Política

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Você é livre para:
Compartilhar - copia e redistribui o material em qualquer meio ou formato; Adapte - remixe, transforme e construa a partir do material para qualquer propósito, mesmo comercialmente. Esta licença é aceitável para Obras Culturais Livres. O licenciante não pode revogar essas liberdades, desde que você siga os termos da licença.
Sob os seguintes termos:
Atribuição - você deve dar o crédito apropriado, fornecer um link para a licença e indicar se alguma alteração foi feita. Você pode fazer isso de qualquer maneira razoável, mas não de uma forma que sugira que você ou seu uso seja aprovado pelo licenciante.
Não há restrições adicionais - Você não pode aplicar termos legais ou medidas tecnológicas que restrinjam legalmente outros para fazer qualquer uso permitido pela licença.