VIOLÊNCIA SEXUAL COMO TORTURA

DO REGIME MILITAR À OMISSÃO ESTATAL SOB A ÓTICA DO NECROBIOPODER

Authors

  • Fernanda Caroline Alves de Mattos Universidade Tiradentes http://orcid.org/0000-0002-5322-4126
  • Grasielle Borges Vieira de Carvalho Universidade Tiradentes
  • Verônica Teixeira Marques Centro Universitário de Maceió

DOI:

https://doi.org/10.9771/rds.v7i0.72015

Keywords:

Comissão Nacional da Verdade, Conservadorismo, Estupro, Lei de Tortura, Necrobiopoder

Abstract

O presente artigo teve como objetivo geral determinar se é possível compreender a violência sexual contemporânea, que tem números crescentes, enquanto forma de tortura contra corpos femininos. Para seu desenvolvimento buscou-se analisar como a violência sexual se constituiu uma tática de tortura baseada nas dicotomias de gênero estruturadas e reforçadas pelo regime ditatorial e após essa análise, intentou-se contrapor de forma comparativa a percepção da violência sexual enquanto tortura com dados atuais sobre estupro no brasil. Partiu-se da hipótese que os casos de violências sexuais abordados no relatório da Comissão Nacional da Verdade retratam uma forma de tortura a qual ainda pode ser observada na violência sexual contemporânea voltada em específico para fortalecer opressões de gênero. Em seu desenvolvimento metodológico tomou-se como caminho a pesquisa de natureza qualitativa por meio de análise comparativa dos relatos contidos no relatório da CNV com os dados sobre violência sexual contemporâneas do Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2025, usando de suporte uma pesquisa bibliográfica e documental sobre o tema. Ao fim, notou-se que a comparação é possível, ainda que fora do cunho político, por meio da percepção não só dos conceitos chave da lei de tortura, mas pela retomada de valores conservadores semelhantes aos defendidos em sede de regime militar.

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Author Biographies

Fernanda Caroline Alves de Mattos, Universidade Tiradentes

Doutoranda em Direitos Humanos na Universidade Tiradentes - UNIT, Bolsista pela CAPES, Foi bolsista do PDSE (Programa de Doutorado Sanduíche no Exterior) na Pontificia Universidad Javeriana, em Bogotá/Colômbia (Outubro/2023 a Julho/2024).Mestra em Ciência Jurídica pela Universidade Estadual do Norte do Paraná - UENP, Graduada em Direito pela Universidade Tiradentes - UNIT. Pesquisadora vinculada ao Grupo de Pesquisa em Gênero, Família e Violência vinculado ao CNPq. Membro do grupo de pesquisa Direito e sexualidade (UFBA), do diretório CNPq.

Grasielle Borges Vieira de Carvalho, Universidade Tiradentes

Doutora em Direito pela Universidade Presbiteriana Mackenzie em São Paulo/SP. Mestre em Direito Penal pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Especialista em Direito Penal e em Interesses Difusos e Coletivos pela Escola Superior do Ministério Público de São Paulo. DOCENTE e PESQUISADORA do Programa de Mestrado e Doutorado em Direitos Humanos da Universidade Tiradentes e do curso de graduação em Direito da Universidade Tiradentes - UNIT/SE, nas disciplinas de Direito Penal, Processo Penal, Execução Penal, Criminologia, e de Práticas Inovadoras em Projetos de Extensão. Editora Executiva da Revista Interfaces Científicas Humanas e Sociais da Editora Universitária Tiradentes - Grupo Tiradentes. Líder dos Grupos de Pesquisas de Execução Penal e Segurança Pública e do Grupo sobre Gênero, Família e Violência do Diretório de Pesquisa do CNPq. Atualmente é coordenadora do Programa de Mestrado e Doutorado em Direitos Humanos da Universidade Tiradentes. 

Verônica Teixeira Marques, Centro Universitário de Maceió

Doutora em Ciências Sociais pela UFBA, Mestre em Ciência Política pela UFPE e graduada em Ciências Sociais pela UFS. Atualmente é professora do Programa de Pós-Graduação em Sociedade, Tecnologias e Políticas Públicas do Centro Universitário de Maceió (UNIMA). Tem experiência em planejamento e gestão na área de Projetos de Pesquisa, atuando nas áreas de políticas públicas e controles democráticos, direitos humanos, violência de gênero, sistema prisional e gestão pública. Desde agosto de 2021 está Coordenadora do PPG em Sociedade, Tecnologias e Políticas Públicas da UNIMA.

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Published

2026-07-01

How to Cite

MATTOS, F. C. A. de; CARVALHO, G. B. V. de; MARQUES, V. T. . VIOLÊNCIA SEXUAL COMO TORTURA: DO REGIME MILITAR À OMISSÃO ESTATAL SOB A ÓTICA DO NECROBIOPODER. Revista Direito e Sexualidade, Salvador, v. 7, n. 1, p. 159–180, 2026. DOI: 10.9771/rds.v7i0.72015. Disponível em: https://revbaianaenferm.ufba.br/index.php/revdirsex/article/view/72015. Acesso em: 1 jul. 2026.