Miriam Pillar Grossi recebe título de Professora Emérita da UFSC
Ao longo de sua atuação na Universidade, Miriam Grossi teve papel fundamental no fortalecimento do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFH). Em 1991, fundou o Núcleo de Identidades de Gênero e Subjetividades (NIGS), referência nacional e internacional na produção de conhecimento crítico sobre gênero, sexualidades, violências, políticas públicas e educação. Sua atuação acadêmica incluiu a orientação de mais de 200 estudantes de iniciação científica, mestrado e doutorado, formando gerações de pesquisadoras e pesquisadores comprometidos com a transformação social.
A professora também esteve à frente de importantes iniciativas institucionais que colocaram a UFSC no mapa da pesquisa mundial, como o Seminário Internacional Fazendo Gênero, a Revista de Estudos Feministas (REF) e o Instituto de Estudos de Gênero (IEG). Em seu discurso, Miriam destacou especialmente a parceria com a saudosa professora Mara Lago, com quem atuou na Linha de Pesquisa em Gênero e Sexualidades do Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Ciências Humanas (PPGICH), espaço que definiu como lugar de “construção de conhecimento e afeto” e de sustentação dos “sonhos feministas na universidade”.
Além da atuação acadêmica, Miriam Grossi teve presença marcante na política científica, integrando conselhos da CAPES e do CNPq, presidindo a Associação Brasileira de Antropologia (ABA) e a ANPOCS, e participando de diretorias da SBPC e da Associação Mundial de Antropologia. Nessas frentes, enfrentou barreiras e violências de gênero que hoje são nomeadas, estudadas e combatidas por novas gerações.
Ao receber o título, a professora ressaltou o caráter coletivo da homenagem:
“O título que recebo hoje não é só meu, ele é também dos coletivos que construímos e das alianças que fizemos e que ajudaram a colocar a UFSC no atual patamar de excelência.”
Miriam agradeceu à Rede NIGS, a seus pais Sérgio (in memoriam) e Ester, e relembrou o início de sua trajetória na UFSC, em março de 1989, após o doutorado na França. Destacou o incentivo recebido de Silvio Coelho dos Santos, Ana Maria Beck e Carmen Rial, sua companheira, e o contexto de redemocratização do país, que possibilitou transformar a universidade pública e a ciência brasileira em potências reconhecidas.
Em sua fala final, reafirmou o compromisso com uma universidade pública de excelência, capaz de formar profissionais atentos às desigualdades e comprometidos com o enfrentamento das opressões. Para a professora, uma democracia efetiva no Brasil passa, necessariamente, por uma educação com aprendizagem real, respeito e direitos iguais para todas, todos e todes — mulheres cis e trans, pessoas negras, indígenas, quilombolas, pessoas com deficiência, LGBTQIA+ e demais populações historicamente marginalizadas.
A concessão do título de Professora Emérita a Miriam Pillar Grossi reafirma o legado de uma trajetória que articula educação, ciência e vida, e que segue inspirando projetos pedagógicos, científicos e de intervenção social comprometidos com a justiça social e a democracia.
Assista à cerimônia em https://www.youtube.com/watch?v=eK-R3muXtNE