Lançado o primeiro número de 2026 da revista Cadernos de Gênero e Diversidade

A revista Cadernos de Gênero e Diversidade acaba de lançar seu primeiro número de 2026, reunindo pesquisas que refletem a diversidade territorial e interdisciplinar do campo dos estudos feministas e de gênero no Brasil e no exterior. A nova edição consolida o compromisso da publicação com a produção científica crítica e plural, reunindo contribuições de pesquisadoras e pesquisadores de diferentes instituições.
O lançamento ocorre após um ano de intensa atividade editorial. Em 2025, a revista alcançou um número recorde de avaliações e publicações, com o trabalho de mais de uma centena de pareceristas especialistas nas áreas de gênero e sexualidades, vinculados a universidades brasileiras e internacionais. Esse esforço coletivo contribuiu para a manutenção da classificação A3 no Qualis da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) na avaliação quadrienal 2020–2024, divulgada no início de 2026.
A permanência da revista nesse patamar confirma a força das redes acadêmicas que sustentam o projeto editorial e o rigor do processo de revisão por pares. A publicação segue como um espaço de diálogo acadêmico para graduandas/os/es, mestres e doutoras/es, consolidando um ambiente coletivo de circulação de pesquisas no campo dos estudos de gênero.
Criada por Felipe Bruno Martins Fernandes, no âmbito do Grupo de Estudos Feministas em Política e Educação (GIRA) da Universidade Federal da Bahia (UFBA), a revista passou a ser coordenada em 2024 por uma rede de pesquisadoras vinculadas ao Núcleo de Identidades de Gênero e Subjetividades (NIGS) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
A obra que ilustra a capa deste número é intitulada "Boca Flechada". Uma aquarela da série “Circuitos Pulsionais” assinada por Ana Maria Alves de Souza, professora de Artes Visuais com mestrados em Literatura (2011) e Antropologia Social (2003) pela UFSC.
Reconhecimento acadêmico
O lançamento do novo número também coincide com uma importante homenagem à professora Miriam Pillar Grossi, atual coordenadora do Comitê Editorial da revista. Em dezembro de 2025, a pesquisadora recebeu o título de Professora Emérita da UFSC, concedido pelo Conselho Universitário em reconhecimento a seus 36 anos de trajetória acadêmica na instituição.
Fluxo editorial contínuo e ampliação da indexação
Durante o início de 2026, mesmo no período de recesso acadêmico brasileiro de verão, o Comitê Editorial manteve ativo o fluxo contínuo de submissões e o processamento editorial da revista. O período registrou um elevado número de novos manuscritos recebidos.
Paralelamente, foram realizados trabalhos de ampliação da presença da revista em bases científicas nacionais e internacionais. A atividade foi conduzida por Juliana Cavilha, com apoio dos bolsistas de Iniciação Científica Guilherme Ceolin e Amanda Menin, vinculados ao NIGS/UFSC, fortalecendo a visibilidade e a acessibilidade internacional da publicação.
Eixos temáticos da edição
O primeiro número de 2026 está organizado em três grandes eixos temáticos:
- Mídia e Artes
- Educação
- Ciências
A seção de artigos reúne estudos que analisam representações de gênero e sexualidade em produções culturais, experiências educativas e dinâmicas institucionais. Entre os temas abordados estão a análise de representações queer no cinema e na música, discussões sobre educação sexual mediada por produtos culturais, silenciamentos sobre gênero e sexualidade na formação docente, vivências LGBTQIA+ na educação física e desigualdades de gênero nas estruturas escolares e profissionais.
Também são discutidas questões relacionadas às desigualdades no mercado de trabalho, como o fenômeno do “teto de vidro” e os desafios enfrentados por mulheres em trajetórias profissionais e científicas.
Entrevista e dossiê especial sobre gênero e ciência
A edição traz ainda uma entrevista com a socióloga Tamara Benakouche, professora da Universidade Federal de Santa Catarina e pioneira nos estudos sociais da internet no Brasil. Conduzida por Miriam Pillar Grossi, Carmen Heisecke, Suzana Vergara e Evelin Lima, a conversa revisita sua trajetória acadêmica e discute os desafios da consolidação dos estudos sociais da ciência e da tecnologia no país.
Outro destaque da edição é o Dossiê “Gênero e Ciências”, organizado por Miriam Pillar Grossi e Carolina Bergmann. O conjunto de artigos investiga as desigualdades de gênero na produção científica, analisando temas como trajetórias de mulheres cientistas, financiamento de pesquisa, movimentos sociais na academia e violência institucional no meio universitário.
As pesquisas reunidas evidenciam como relações de poder, práticas institucionais e políticas científicas continuam produzindo desigualdades na carreira acadêmica, ao mesmo tempo em que apontam caminhos para a construção de uma ciência mais plural, inclusiva e socialmente comprometida.
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