Feminização do magistério e masculinização do poder
desigualdades de gênero em uma escola pública paulista (1949-1996)
DOI:
https://doi.org/10.9771/cgd.v12i1.70261Palavras-chave:
Feminização do Magistério, Desigualdade de Gênero, Liderança EscolarResumo
Este artigo analisa as dinâmicas de gênero no ambiente escolar a partir do estudo de uma instituição pública localizada no município de Dracena (SP), entre 1949 e 1996. A investigação a predominância feminina na docência, configurando uma distribuição de funções escolares que se consolidou historicamente no interior do sistema educacional paulista. A partir de documentos administrativos, atas escolares e registros institucionais, observa-se que essa configuração resultou de processos sociais mais amplos, que ao longo do tempo associaram diferentes expectativas profissionais a homens e mulheres. Os dados permitem identificar elementos culturais e institucionais que influenciaram a organização interna da escola, como concepções amplamente difundidas sobre profissionalidade, organização do trabalho e formas de participação na vida escolar. Esses fatores contribuíram para moldar percepções sobre a docência e a gestão. Ao longo do período estudado, observa-se que mulheres desempenharam papéis centrais no cotidiano escolar, assumindo responsabilidades variadas e contribuindo significativamente para o funcionamento e a continuidade da instituição. Conclui-se que compreender essas trajetórias exige considerar a complexidade das relações de gênero na educação, reconhecendo tanto permanências quanto transformações ao longo do tempo. Políticas de formação, incentivo à participação equilibrada em diferentes funções escolares e valorização das múltiplas formas de atuação profissional constituem caminhos importantes para fortalecer práticas educacionais mais inclusivas e sensíveis às diversidades históricas e sociais.
Downloads
Referências
ALMEIDA, Jane Soares de. Mulheres na sala de aula: gênero e magistério no Estado de São Paulo (1889–1930). Campinas: Autores Associados, 1998.
ARQUIVO LOCALIZADO NA INSTITUIÇÃO EM ESTUDO. Compilado de perguntas e respostas. Dracena, 1990.
ARQUIVO LOCALIZADO NA INSTITUIÇÃO EM ESTUDO Folhas de ponto (1949-1996). Dracena.
ARQUIVO LOCALIZADO NA INSTITUIÇÃO EM ESTUDO. Mapa do movimento docente/referência: abril de 1969. Dracena, 1969.
ARQUIVO LOCALIZADO NA INSTITUIÇÃO EM ESTUDO. Quadro Funcional da Instituição em estudo no ano de 1990. Dracena, 1990.
BRASIL. Lei nº 5.692, de 11 de agosto de 1971. Fixa Diretrizes e Bases para o ensino de 1° e 2º graus, e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, 1971.
BOURDIEU, P. A dominação masculina. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1999.
DENGEL, V. Beleza e personalidade – o livro azul da mulher. Rio de Janeiro: O Cruzeiro, 1945.
DIAS, A. F.; XAVIER, A. J. A ausência de educadores do sexo masculino nas creches da cidade de Jequié. Saberes em Perspectiva, Jequié, v. 3, n. 5, p. 103-115, jan./set. 2013.
FELIPE, Jane; GUIZZO, Bianca Salazar; ROSA, Cristiano Eduardo da. Infâncias e temas sensíveis. 1ed. Porto Alegre: Cirkula, 2024.
INEP. Censo Escolar 2023: Sinopse Estatística da Educação Básica. Brasília: MEC, 2023.
LANGAMER, S. F.; TIMM, F. B. Representações sociais de gênero em crianças: Uma experiência no ensino fundamental. In: Congresso Nacional de Educação (Educere), 11., 2013, Curitiba. Anais... Curitiba: PUCPR, 2013. P. 24718-24734.
LAURETIS, Teresa de. A tecnologia do gênero. In: HOLLANDA, Heloisa Buarque de (org.). Tendências e impasses: o feminismo como crítica da cultura. Rio de Janeiro: Rocco, 1994. p. 206–242.
LOURO, Guacira Lopes. O corpo educado: pedagogias da sexualidade. 2. ed. Belo Horizonte: Autêntica, 1997.
LOURO, G. L. Gênero sexualidade e educação: uma perspectiva pós-estruturalista. Petrópolis: Vozes, 2003.
MULLER, Maria Lúcia Rodrigues Muller. A produção de sentidos sobre mulheres negras e o branqueamento do magistério no Rio de Janeiro na Primeira República. Interfaces da Educação, Paranaíba, v. 5, n. 14, p. 68-81, 2014.
SAYÃO, D. T. Relações de gênero e trabalho docente na educação infantil: um estudo de professores em creche. 2005. 263 f. Tese (Doutorado em Educação) – Centro de Ciências da Educação da Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2005.
SCOTT, J. Gênero: uma categoria útil de análise histórica. Porto Alegre: Educação e Realidade, 1998.
VIANNA, C. P. A feminização do magistério na educação básica e os desafios para a prática e a identidade coletiva docente. In: YANNOULAS, S, C, (Org.). Trabalhadoras: análise da feminização das profissões e ocupações. Brasília, DF: Abaré, 2013. p. 159-180.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 Cadernos de Gênero e Diversidade

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.
Política de Acesso e Direitos Autorais
As pessoas autoras mantêm os direitos autorais de suas obras, concedendo à revista o direito de primeira publicação.
A Revista Cadernos de Gênero e Diversidade é de acesso aberto, não cobra taxas de submissão ou publicação.
As pessoas autoras mantêm os direitos autorais de suas obras, concedendo à revista o direito de primeira publicação.
As publicações são licenciadas sob a licença Creative Commons Atribuição (CC BY), que permite compartilhamento e adaptação com atribuição de autoria.
Termo da declaração de acesso aberto
Cadernos de Gênero e Diversidade (CGD) é um periódico de Acesso Aberto, o que significa que todo o conteúdo está disponível gratuitamente, sem custo para usuária/o ou sua instituição. As usuárias e os usuários podem ler, baixar, copiar, distribuir, imprimir, pesquisar ou vincular os textos completos dos artigos, ou usá-los para qualquer outra finalidade legal, sem solicitar permissão prévia da editora ou de autor/a/es, desde que respeitem a licença de uso do Creative Commons utilizada pelo periódico. Esta definição de acesso aberto está de acordo com a Iniciativa de Acesso Aberto de Budapeste (BOAI).