Caminhos da Transição:
a influência da aceitação familiar no bem-estar e saúde mental de universitários transgênero
DOI:
https://doi.org/10.9771/cgd.v12i2.71405Palavras-chave:
Saúde Mental, Relações familiares, Apoio Familiar, Pessoas TransgêneroResumo
Este estudo investigou como a aceitação familiar influencia o bem-estar e a saúde mental de universitários transgênero durante o processo de transição. Participaram cinco estudantes trans (quatro homens trans e uma pessoa trans não-binária), com idades entre 18 e 25 anos, matriculados em uma universidade pública do sul do Brasil. Utilizou-se abordagem qualitativa, por meio de entrevistas semiestruturadas, analisadas a partir da Análise de conteúdo temático. Emergiram quatro categorias: aceitação familiar e suporte; rejeição, silenciamento e violência; suporte alternativo e redes externas; saúde mental e sofrimento psíquico. Os resultados apontaram que a aceitação familiar ocorre de forma parcial e condicionada, frequentemente atravessada pelo silêncio, pela negação do nome social e pela invisibilização da identidade de gênero. Microagressões, humilhações veladas e ausência de diálogo configuram formas de violência simbólica, intensificando sentimentos de rejeição, medo, isolamento e desesperança. Em diversos casos, a fragilidade do suporte familiar esteve associada ao surgimento de sofrimento psíquico, expresso em ansiedade, tristeza profunda, automutilação e ideação suicida. Em contrapartida, vínculos afetivos estabelecidos com amigos, pares trans e coletivos LGBTQIA+ atuaram como redes protetivas, funcionando como “famílias escolhidas” e promovendo reconhecimento, pertencimento e resiliência emocional. Conclui-se que a saúde mental de universitários trans é diretamente impactada pelo reconhecimento familiar, sendo o acolhimento um fator essencial de proteção emocional e dignidade. Políticas institucionais e práticas afirmativas de cuidado são essenciais para garantir condições dignas de existência a pessoas trans.
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