Modernidade, epistemicídio e saberes outros
ou diálogos entre Frankenstein, Pecadores e as Diferenças
DOI:
https://doi.org/10.9771/asf171882Palavras-chave:
Modernidade, Epistemicídio, Geopolítica do conhecimento, Diferenças, Saberes outrosResumo
O ensaio discute criticamente a modernidade ocidental a partir da noção de epistemicídio e da geopolítica do conhecimento, articulando literatura, sociologia e pensamento decolonial. Tomando Frankenstein, de Mary Shelley, como metáfora inaugural, argumento que a modernidade projetou suas “monstruosidades” para fora de si, definindo um ideal restrito de humanidade e relegando o Outro à condição de não humano ou sub-humano. A partir das contribuições de Ramón Grosfoguel, analiso os quatro genocídios/epistemicídios fundadores da modernidade — contra muçulmanos e judeus, povos indígenas, africanos escravizados e mulheres — evidenciando como racismo e sexismo epistêmico estruturaram o cânone das ciências sociais. Dialogando com W.E.B. Du Bois, Raewyn Connell, Susan Buck-Morss, Silvia Federici e Gayle Rubin, o ensaio demonstra como raça, gênero e sexualidade foram sistematicamente marginalizados na produção do conhecimento sociológico. O filme Pecadores (2025) é mobilizado como linguagem contemporânea para atualizar a experiência da “linha de cor” e do apagamento cultural. Por fim, o texto apresenta o pensamento indígena de Ailton Krenak como alternativa ontológica à modernidade ocidental, defendendo a escuta de saberes outros como condição para imaginar formas menos violentas de coexistência.
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