Cuidado Farmacêutico como estratégia de gestão de custos na Administração Pública do SUS

Autores

DOI:

https://doi.org/10.9771/rebap.v18i1.73649

Palavras-chave:

Farmacoterapia, Gasto público em saúde, Custos em saúde, Administração pública, Cuidado Farmacêutico

Resumo

Este estudo analisa os custos decorrentes de falhas terapêuticas associadas a Problemas Relacionados à Farmacoterapia (PRF) na assistência farmacêutica municipal, sob a perspectiva da Administração Pública. Trata-se de estudo analítico, transversal e quantitativo, baseado em painel de especialistas e fundamentado no modelo de via de probabilidade de Johnson e Bootman. A pesquisa foi realizada em município da Região Metropolitana de Salvador (BA), utilizando dados do DATASUS e registros administrativos locais. As estimativas de falha terapêutica foram obtidas com profissionais experientes em atendimento ambulatorial no Sistema Único de Saúde (SUS). A média estimada indicou que 41,73% dos pacientes sem acompanhamento de cuidado farmacêutico apresentam falha terapêutica com necessidade de nova prescrição. Aproximadamente 192.816 prescrições foram atribuídas a essas falhas. Os custos diretos foram estimados em R$ 2,39 milhões, enquanto o custo total do ciclo terapêutico alcançou R$ 7,94 milhões, correspondendo a 9,32% do orçamento municipal de saúde. Os resultados sugerem que a farmacoterapia não otimizada representa importante fonte de custos evitáveis. Conclui-se que o cuidado farmacêutico pode contribuir para qualificar o uso de medicamentos e ampliar a eficiência do gasto público no SUS.

A média estimada indicou que 41,73% dos pacientes ambulatoriais sem acompanhamento de cuidado farmacêutico apresentam falha terapêutica com necessidade de nova prescrição. Com base nos parâmetros analisados, aproximadamente 192.816 prescrições foram atribuídas a essas falhas. Os custos diretos foram estimados em R$ 2,39 milhões, enquanto o custo total do ciclo terapêutico atingiu R$ 7,94 milhões após ajustes, correspondendo a 9,32% do orçamento municipal de saúde.

Os resultados evidenciam que a farmacoterapia não otimizada constitui importante fonte de ineficiência no uso de recursos públicos, refletindo fragilidades na capacidade de implementação das políticas de assistência farmacêutica. Conclui-se que o cuidado farmacêutico pode atuar como estratégia organizacional para qualificar o uso de medicamentos, reduzir custos evitáveis e ampliar a eficiência do gasto público no SUS.

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Publicado

2026-06-30

Como Citar

TEIXEIRA, A. D.; DAVID, J. P. de L. Cuidado Farmacêutico como estratégia de gestão de custos na Administração Pública do SUS. Revista Brasileira de Administração Política, [S. l.], v. 18, n. 1, p. 106–119, 2026. DOI: 10.9771/rebap.v18i1.73649. Disponível em: https://revbaianaenferm.ufba.br/index.php/rebap/article/view/73649. Acesso em: 10 jul. 2026.