Violência familiar contra mulheres idosas que frequentam uma Universidade Aberta da Terceira Idade
compreensão analítica de seus discursos
DOI:
https://doi.org/10.9771/cgd.v11i3.53908Palavras-chave:
Violência familiar, Violência de gênero, Violência contra mulheres idosas, Gênero, InterseccionalidadeResumo
A pesquisa teve como foco a violência contra mulheres idosas no âmbito familiar. Historicamente na velhice as violências assumem novas interfaces, já que se associam dois marcadores: o de ser mulher e o de ser idosa, além de outros marcadores que serão explorados a partir da Interseccionalidade. Dessa forma, buscamos auxiliar na formulação de novos mecanismos de enfrentamento que possam agir de modo mais célere, além de trazer à luz o papel de uma Universidade Aberta da Terceira Idade no combate direto e indireto desse fenômeno. A pesquisa é qualitativa, de caráter descritivo e exploratório, e teve como objetivo compreender os discursos de mulheres idosas que sofreram violência familiar e são alunas de uma Universidade Aberta da Terceira Idade em Manaus, à luz da Teoria dos Dispositivos de Zanello (2018) e da Interseccionalidade, a partir de Nogueira (2017) e Akotirene (2020). Concluímos que os discursos, em torno da violência, são diversos, e são atribuídos diferentes sentidos para o fenômeno. Embora haja um fator em comum: a violência aparece como uma constante na vida das mulheres, e por isso, a entendem como inevitável. Assim, encontram estratégias para conviver com essas violências, ao invés de dar fim a essas relações abusivas.
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