Necropedagogia da crueldade e a diversidade sexual/de gênero merecem corpos abjetos serem narrados?
DOI:
https://doi.org/10.9771/cgd.v10i4.54270Palavras-chave:
LGBTQIAP , Pedagogia da crueldade, Morte e vida, Necropolítica, PrecariedadeResumo
O presente artigo tem por objetivo discutir e articular os conceitos de pedagogia da crueldade de Rita Segato, homo sacer de Agamben, necropolítica de Mbembe e vidas abjetas e precárias de Judith Butler, a fim de problematizar possíveis explicações sobre o aumento gradativo do número de mortes violentas na população LGBTQIAP+ no Brasil. Fica evidente que por não serem, muitas das vezes, consideradas vidas que merecem viver, mata-se de forma real e simbólica essa parte da população, seja por mortes violentas ou pelo seu silenciamento/apagamento enquanto cidadãos de direitos. Os dispositivos de controle sobre corpos, políticas públicas excludentes e formas de desassistimento de uma parte das pessoas exercidas pelo Estado soberano, fomentam essa necropedagogia da crueldade, tornando vidas já precárias em vidas inumanas e susceptíveis a serem mortas. Percebemo-nos como precários e necessitados da ajuda do outro, poderia fomentar uma sociedade mais empática e humana, abandonando e esquecendo quaisquer características de uma necropedagogia rumo a introjeção de uma pedagogia da solidariedade. No mais, torna-se necessária uma maior investigação acerca dessa temática por sua relevância, e que vidas vistas como abjetas sejam narradas.
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