Transcendendo as Margens

Reflexões sobre Representações Lésbicas e Ciborgues em Doctor Who

Autores

DOI:

https://doi.org/10.9771/cgd.v10i3.55671

Palavras-chave:

Doctor Who, Feminismo, Ciborgue, Relações de Poder

Resumo

Este estudo investiga a representação de personagens femininas e a inclusão de diversidade sexual na série "Doctor Who". Especificamente, analisa-se a personagem Bill Potts, uma mulher negra lésbica, como um marco na representação de mulheres na série. Utilizando a teoria narrativa de Mieke Bal (2009) o conceito de ciborgue de Donna Haraway (1991), o estudo explora como a série usa imagens e metáforas para abordar temas complexos como marginalização, objetificação, isolamento, resistência e celebração da diversidade. A transformação de Bill em um ciborgue é destacada como uma crítica à despersonalização e objetificação das identidades marginalizadas, e como uma possibilidade de transcender normas de gênero e sexualidade. O estudo conclui que a representação de personagens femininas em "Doctor Who" reflete a complexidade e a diversidade da experiência feminina, apesar das limitações da heteronormatividade e do foco predominante em enredos românticos. A análise contribui para a compreensão das mudanças na televisão e reflete a transformação na percepção e valorização das mulheres e da diversidade sexual na sociedade contemporânea.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Sheisa Bittencourt, Universidade Feevale

Doutoranda em Diversidade Cultural e Inclusão Social pela Universidade Feevale e Mestra em Ciências da Comunicação pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos). É especialista em Marketing Organizacional através da Faculdade Educacional da Lapa (2016) e Bacharela em Design Gráfico com ênfase em mídias eletrônicas pela Universidade Feevale (2014). Também possui um mestrado (incompleto) em Design de Multimédia pela Universidade de Coimbra (Portugal). Como profissional e pesquisadora busca ampliar conhecimentos sobre a união do design com o audiovisual. Possui ampla experiência como professora de design e informática. Sua atuação vai desde aulas de graduação, passando por cursos técnicos até oficinas e palestras.

Franciele Amaral da Cunha, Universidade Feevale

Doutoranda em Diversidade e Inclusão Social pela Universidade Feevale. Mestra em Comunicação pela Unisinos. Bacharel em Artes Visuais pela Universidade Feevale. Possuí vasta experiência dentro do cenário cultural de Porto Alegre. 

Regina de Oliveira Heidrich, Universidade Feevale

Pesquisadora e docente, especializada em tecnologia, inclusão social e educação. Possui ampla experiência em projetos interdisciplinares financiados por agências renomadas. Sua pesquisa se concentra em Brain Computer Interface (BCI) e Ergonomia. Coordena o Centro de Design da Universidade Feevale e lidera projetos inovadores, como o uso de Realidade Virtual na educação de pessoas com paralisia cerebral. Consultora para questões de inclusão e membro de grupos de pesquisa renomados.

Referências

BAL, M. Narratology: Introduction to the Theory of Narrative. 3ed. Toronto: University of Toronto Press, 2009.

BRAUN, V.; CLARKE, V. Using thematic analysis in psychology. Qualitative Research in Psychology, [S. l.], v. 3, n. 2, p. 77-111, 2006. Disponível em: https://www.tandfonline.com/doi/abs/10.1191/1478088706qp063oa. Acesso em: 6 de julho de 2023.

BURK, G.; SMITH, R. Who Is the Doctor: The Unofficial Guide to Doctor Who-The New Series. Toronto: ECW Press, 2012.

BUTLER, J. Gender Trouble: Feminism and the Subversion of Identity. New York: Routledge, 1990.

CHAPMAN, J. Inside the Tardis: The Worlds of Doctor Who. London: I. B. Tauris, 2006.

COLLINS, P. H. Black feminist thought: knowledge, consciousness, and the politics of empowerment. Nova York: Routledge, 2000.

CRISTEA, A. M. Las series web como cartografías de la sexualidad: la representación de la interacción lésbica en la ciudad global en Féminin/Féminin y The Foxy Five. Revista Latinoamericana de Geografía e Gênero, [S. l.], v. 9, n. 2, p. 173188, 2018. Disponível em: https://revistas.uepg.br/index.php/rlagg/article/view/12791. Acesso em: 30 de julho de 2023.

DHAENENS, F. Teenagers and intertextual aesthetics: Insights from a reception analysis of gay-related narratives in Girls and Skins. European Journal of Cultural Studies, [S. l.], v. 16, n. 3, p. 275-290, 2013. Disponível em: https://biblio.ugent.be/publication/2967006. Acesso em: 6 de julho de 2023.

DRIVER, S. Queer Girls and Popular Culture: Reading, Resisting, and Creating Media. New York City: Peter Lang Inc., 2007.

DYER, R. The Culture of Queers. London: Routledge, 2002.

ECO, U. A Theory of Semiotics. Bloomington: Indiana University Press, 1976.

GAMMAN, L.; MARSHMENT, M. The Female Gaze: Women As Viewers of Popular Culture. London: The Women’s Press, 1988.

GILBERT, S. B. “Bloke Utopia”: bill potts, queer identity, and cyborg narratives in doctor Who. In: FRANKEL, V. E. (Ed.). Fourth Wave Feminism in Science Fiction and Fantasy: essays on television representations, 2013-2019. 2 ed. North Carolina: Mfarland & Company, 2019. p. 135-149.

HALL, S. A identidade cultural na pós-modernidade. 11 ed. Trad. Tomaz Tadeu da Silva. Rio de Janeiro: DP&A, 2006.

HARAWAY, D. Simians, Cyborgs, and Women: The Reinvention of Nature. London: Free Association Books, 1991.

HILLS, M. Triumph of a Time Lord: Regenerating Doctor Who in the 21st Century. London: I. B. Tauris, 2010.

HOOKS, B. Black Looks: Race and Representation. Boston: South End Press, 1992.

JOWETT, L. Dancing with the Doctor: Dimensions of Gender in the Doctor Who Universe. New York City: I.B. Tauris, 2017.

KISTLER, A. Doctor Who: A History. Essex: Lyons Press, 2013. LEACH, J. Doctor Who. Detroit: Wayne State University Press, 2009.

NEWMAN, M.; LEVINE, R. Doctor Who: The Television Companion. London: BBC Books, 1998.

ORTIZ, G. Exploring the Cultural Third Place in the Doctor Who Universe. In: L. Y. MONTCLAIR (Ed.). Doctor Who in Time and Space: Essays on Themes, Characters, History and Fandom, 1963-2012. Jefferson: McFarland & Company, 2013.

PEARSON, W. G.; HOLLINGER, V.; GORDON, J. Queer Universes: Sexualities and Science Fiction. Liverpool: Liverpool University Press, 2008.

PRODANOV, C. C.; FREITAS, E. C. Metodologia do trabalho científico: métodos e técnicas da pesquisa e do trabalho acadêmico. Novo Hamburgo: Feevale, 2009.

RICH, A. Compulsory Heterosexuality and Lesbian Existence. Signs: Journal of Women in Culture and Society, [S. l.], v. 5, n. 4, p. 631-660, 1980. Disponível em https://www.jstor.org/stable/3173834. Acesso em: 6 de julho de 2023.

SEDGWICK, E. Epistemology of the Closet. Berkeley: University of California Press, 1990.

SILVA, L. L. Doctor Who? She!: representação e representatividade femininas sob a perspectiva de gênero na narrativa seriada Doctor Who. 2022. 158 f. Dissertação (Mestrado em Interdisciplinar em Cinema) - Programa de Pós-graduação Interdisciplinar em Cinema, Universidade Federal de Sergipe, São Cristóvão, 2022.

TULLOCH, J.; ALVARADO, M. Doctor Who: The Unfolding Text. London: Macmillan, 1983.

WEBBER, S.; WILSON, C.; NEWMAN, S. The Doctor Who Annual. London: World Distributors, 1965.

Downloads

Publicado

2025-03-23

Como Citar

Bittencourt, S., Cunha, F. A. da, & Heidrich, R. de O. (2025). Transcendendo as Margens: Reflexões sobre Representações Lésbicas e Ciborgues em Doctor Who. Cadernos De Gênero E Diversidade, 10(3), 35–70. https://doi.org/10.9771/cgd.v10i3.55671

Edição

Seção

Artigos