História das mulheres na ciência e aspectos da natureza das ciências: possibilidades para educação científica
DOI:
https://doi.org/10.9771/cgd.v12i1.56766Palavras-chave:
Natureza da Ciência, História das Mulheres na Ciência, Semelhança de Família, Educação CientíficaResumo
Neste ensaio teórico, buscamos refletir sobre como a história das mulheres na ciência pode fornecer elementos pedagógicos para o ensino da Natureza das Ciências (NdC). Optamos por apresentar a abordagem da Semelhança de Família, pois ela contempla atualmente um dos modelos mais completos para NdC. Esta abordagem propõe que as ciências se agrupem em dois principais sistemas: cognitivo-epistêmico e social-institucional, os quais se subdividem em outras onze categorias. Colocamos em diálogo a história das mulheres na ciência e três dessas categorias previstas no sistema socioinstitucional: (a) organizações sociais e interações, (b) estruturas de poder político e (c) sistemas financeiros. Consideramos que essas três categorias refletem o papel das influências sociais sobre o empreendimento científico, reforçando que a ciência não existe de forma isolada da sociedade e, de maneira estrutural, apresenta elementos sexistas. Aprender sobre NdC envolve a exploração de casos históricos da ciência nos quais as relações de gênero tiveram um papel significativo. Esses casos incluem a apropriação dos conhecimentos produzidos pelas mulheres, as funções historicamente atribuídas a elas nesses contextos, as disparidades na representação das mulheres pela ciência, a desconsideração de seus anseios nas agendas de pesquisa e na ausência de suas vozes na construção dos conhecimentos científicos.
Downloads
Referências
ALLCHIN, Douglas. Evaluating knowledge of the nature of (whole) science. Science Education, [S.L.], v. 95, n. 3, p. 518-542, 9 mar. 2011. Disponível em: http://dx.doi.org/10.1002/sce.20432. Acesso em: 22 set. 2023.
ALLCHIN, Douglas. Toward clarity on Whole Science and KNOWS. Science Education, [S.L.], v. 96, n. 4, p. 693-700, 12 jun. 2012. Disponível em: http://dx.doi.org/10.1002/sce.21017. Acesso em: 22 set. 2023.
ARTEAGA, Juan Manoel Sanchéz. La desigualdad de las desigualdades: Ideologia y ciência em Mlle. Clemence Royer (1930-1902). In: Guedes, E. (ed.) Desigualdades do feminino. Lisboa: Apenas Livros editora, 2007.
AZEVEDO, Nathália Helena; SCARPA, Daniela Lopes. Revisão Sistemática de Trabalhos sobre Concepções de Natureza da Ciência no Ensino de Ciências. Revista Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências, [S.L.], p. 579-619, 31 ago. 2017. Disponível em: http://dx.doi.org/10.28976/1984-2686rbpec2017172579. Acesso em: 22 set. 2023.
CARVALHO, Ana Maria Pessoa de; Critérios estruturantes para o ensino de Ciências. In: CARVALHO, A. M. P. de (Org.). Ensino de Ciências: unindo Pesquisa e Prática. São Paulo, SP: Pioneira Thomson, p. 1-18, 2006.
CHASSOT, Attico. A ciência é masculina? É, sim senhora! Revista Contexto & Educação, v. 19, n. 71-72, p. 9-28, 2004. Disponível em: https://revistas.unijui.edu.br/index.php/contextoeducacao/article/view/1130. Acesso em: 22 set. 2023.
CITELI, Maria Teresa. Fazendo diferenças: teorias sobre gênero, corpo e comportamento. Revista Estudos Feministas, [S.L.], v. 9, n. 1, p. 131-145, 2001. Disponível em: http://dx.doi.org/10.1590/s0104-026x2001000100007. Acesso em: 22 set. 2023.
CORDEIRO, Marinês. Questões de gênero na ciência e na educação científica: uma discussão centrada no Prêmio Nobel de Física de 1903. In: Encontro Nacional de Pesquisa em Educação em Ciências, 9., 2013, Águas de Lindóia. Anais..., 2013. p. 10-14.
CUNHA, Rocelly; DIMENSTEIN, Magda; DANTAS, Candida. Desigualdades de gênero por área de conhecimento na ciência brasileira: panorama dos bolsistas PQ/CNPq. Saúde em Debate, Rio de Janeiro, v. 45, n. especial, p. 83-97, 2021. Disponível em: https://www.scielo.br/j/sdeb/a/X4B8B69D9cPFhxQbZDQSD6c/. Acesso em: 09 mai. 2025.
DAGHER, Zoubeida, ERDURAN, Sibel. Reconceptualizing the Nature of Science for Science Education: Why Does it Matter? Science & Education, [S.L.], v. 25, n. 1-2, p. 147–164, 2016. Disponível em: https://link.springer.com/article/10.1007/s11191-015-9800-8. Acesso em: 22 set. 2023.
ERDURAN, Sibel; DAGHER, Zoubeida R. Reconceptualizing the Nature of Science for Science Education: Scientific Knowledge, Practices and Other Family Categories. New York: Springer Netherlands, 2014.
FARIAS, Yaci Maria Marcondes. Como a história da ciência pode contribuir para o ensino de biologia? Um olhar para a história das mulheres. Cadernos de Gênero e Tecnologia, [S.L.], v. 15, n. 45, p. 201, 22 jul. 2022. Disponível em: http://dx.doi.org/10.3895/cgt.v15n45.13157. Acesso em: 22 set. 2023.
FERNANDES, Caroline Lins; SILVA, Welida Tamires Alves; NASCIMENTO, Pedro Henrique Luna; LIMA, Juan Cleiton Reis; OLIVEIRA, Maria Janaína. A importância da mulher na ciência no âmbito educacional como incentivo para discentes do Ensino Básico. In: IV Congresso Nacional de Educação. Anais eletrônico... João Pessoa, PB, v. 1, 2017. [documento sem paginação]. Disponível em: https://editorarealize.com.br/artigo/visualizar/35316. Acesso em: 22 set. 2023.
HARDING, Sandra. Gênero, Democracia e Filosofia da Ciência. Revista Eletrônica de Comunicação Informação e Inovação em Saúde, [S.L.], v. 1, n. 1, 2007. p. 163-168. Disponível em: https://www.arca.fiocruz.br/handle/icict/17583. Acesso em: 22 set. 2023.
HARVEY, Joy Dorothy. "Almost a Man of Genius": Clemence Royer, Feminism, and Nineteenth-Century Science. New Brunswick, N. J. and London: Rutgers University Press, 1997.
IRZIK, Gürol; NOLA, Robert. A family resemblance approach to the nature of science. Science & Education, [S.L.], v. 20, p. 591–607, 24 ago. 2011. Disponível em: https://link.springer.com/article/10.1007/s11191-010-9293-4. Acesso em: 22 set. 2023.
IRZIK, Gürol; NOLA, Robert. New Directions for NOS Research. In: International Handbook of Research in History, Philosophy and Science Teaching, (Ed.) M. Matthews. Springer, 2014, p. 999-1022. Disponível em: https://link.springer.com/chapter/10.1007/978-94-007-7654-8_30. Acesso em: 22 set. 2023
KELLER, Evelyn Fox. Reflections on Gender and Science. New Haven: Yale University Press, 1985.
LEDERMAN, N. G. Students’ and teachers’ conceptions of the nature of science: A review of the research. Journal of Research in Science Teaching, v. 29, n. 4, 1992. p. 331–359. Disponível em https://onlinelibrary.wiley.com/doi/abs/10.1002/tea.3660290404. Acesso em 22 set. 2023.
LEDERMAN, Norman G. Students' and teachers' conceptions of the nature of science: a review of the research. Journal Of Research In Science Teaching, [S.L.], v. 29, n. 4, p. 331-359, abr. 1992. Disponível em: http://dx.doi.org/10.1002/tea.3660290404. Acesso em: 22 set. 2023.
LONGINO, Helen E. Science as Social Knowledge: Values and objectivity in scientific inquiry. Princeton: Princeton University Press, 1990.
LONGINO, Helen E. The Fate of Knowledge. Princeton: Princeton University Press, 2002.
LOPES, Margaret E. A difícil travessia: mulheres na ciência brasileira. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 2006.
MOURA, Breno Arsioli. O que é natureza da Ciência e qual sua relação com a História e Filosofia da Ciência? Revista Brasileira de História da Ciência, [S.L.], v. 7, n. 1, p. 32-46, 11 nov. 2021. Disponível em: http://dx.doi.org/10.53727/rbhc.v7i1.237. Acesso em: 22 set. 2023.
OKI, Maria da Conceição Marinho; MORADILLO, Edilson Fortuna. O Ensino de História da Química: contribuindo para a compreensão da natureza da ciência. Ciência e Educação, [S.L.], v. 14, n. 1, 2008. p. 67-88. Disponível em: http://educa.fcc.org.br/pdf/ciedu/v14n01/v14n01a05.pdf. Acesso em: 22 set. 2023.
ORESKES, Naomi. Why Trust Science? Princeton: Princeton University Press, 2019.
PEREIRA, Letícia dos Santos; SANTANA, Carolina Queiroz; BRANDÃO, Luís Felipe Silva da Paixão. O apagamento da contribuição feminina e negra na ciência: reflexões sobre a trajetória de Alice Ball. Cadernos de Gênero e Tecnologia, [S.L.], v. 12, n. 40, p. 92, 23 jul. 2019. Disponível em: http://dx.doi.org/10.3895/cgt.v12n40.9346. Acesso em: 22 set. 2023.
PÉREZ, Daniel Gil; MONTORO, Isabel Fernández; ALÍS, Jaime Carrascosa; CACHAPUZ, António; PRAIA, João. Para uma imagem não deformada do trabalho científico. Ciência & Educação, Bauru, [S.L.], v. 7, n. 2, p. 125-153, 2001. Disponível em: http://dx.doi.org/10.1590/s1516-73132001000200001. Acesso em: 22 set. 2023.
ROSSITER, Margaret W. The Matthew Matilda Effect in Science. Social Studies of Science, [S.L.], v. 23, n. 2, p. 325-341, 1993. Disponível em: http://dx.doi.org/10.1177/030631293023002004. Acesso em: 22 set. 2023.
SARDENBERG, Cecilia Maria Bacellar. Da crítica feminista à ciência ou uma ciência feminista? In: COSTA, Ana Alice Alcântara; SARDENBERG, Cecilia Maria Bacellar. Feminismo, Ciência e Tecnologia. Salvador: REDOR/NEIM-FFCH/UFBA, 2002. p. 89-120.
SASSERON, Lúcia Helena; CARVALHO, Ana Maria Pessoa; Alfabetização científica: uma revisão bibliográfica. Investigações em Ensino de Ciências, [S.L.], v. 16, n. 1, 2011, p. 59-77. Disponível em: http://143.54.40.221/index.php/ienci/article/view/246. Acesso em: 22 set. 2023.
SCHIEBINGER, Londa. Mais mulheres na ciência: questões de conhecimento. História, Ciências, Saúde, Manguinhos, RJ, v. 15, p. 269-281, 2008.
SCHIEBINGER, Londa. O feminismo mudou a ciência? Bauru, SP: EDUSC, 2001.
SOUZA, Hemilly Cerqueira. O uso de epistemologias feministas no desenvolvimento de propostas pedagógicas para um ensino de ciências voltado à promoção da equidade de gênero. (Dissertação de Mestrado). Programa de Pós-graduação em Ensino, Filosofia e História das Ciências, Universidade Federal da Bahia, Universidade Estadual de Feira de Santana, 2017.
UNESCO. Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura. The gender gap in Science: status and trends, Paris, FR: Unesco – Institute for Statistics, 2024. Disponível em: https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000388805. Acesso em: 09 mai. 2025.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 Cadernos de Gênero e Diversidade

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.
Política de Acesso e Direitos Autorais
As pessoas autoras mantêm os direitos autorais de suas obras, concedendo à revista o direito de primeira publicação.
A Revista Cadernos de Gênero e Diversidade é de acesso aberto, não cobra taxas de submissão ou publicação.
As pessoas autoras mantêm os direitos autorais de suas obras, concedendo à revista o direito de primeira publicação.
As publicações são licenciadas sob a licença Creative Commons Atribuição (CC BY), que permite compartilhamento e adaptação com atribuição de autoria.
Termo da declaração de acesso aberto
Cadernos de Gênero e Diversidade (CGD) é um periódico de Acesso Aberto, o que significa que todo o conteúdo está disponível gratuitamente, sem custo para usuária/o ou sua instituição. As usuárias e os usuários podem ler, baixar, copiar, distribuir, imprimir, pesquisar ou vincular os textos completos dos artigos, ou usá-los para qualquer outra finalidade legal, sem solicitar permissão prévia da editora ou de autor/a/es, desde que respeitem a licença de uso do Creative Commons utilizada pelo periódico. Esta definição de acesso aberto está de acordo com a Iniciativa de Acesso Aberto de Budapeste (BOAI).