Narrativas distópicas e letramento de gênero:
Contribuições para o ensino de Biologia na Educação Básica
DOI:
https://doi.org/10.9771/cgd.v12i2.71260Palavras-chave:
Ensino de Biologia, Educação em Sexualidade, Literatura distópica, Direitos reprodutivos, Formação críticaResumo
Este artigo analisa as contribuições de O Conto da Aia (1985) e Os Testamentos (2019), de Margaret Atwood, para o ensino de Biologia, especialmente nas temáticas sexualidade, reprodução e direitos reprodutivos. Argumenta-se que essas narrativas distópicas feministas constituem recurso pedagógico para a formação cidadã, ao promover debates sobre desigualdades de gênero e problematizar concepções naturalizantes do corpo. Com abordagem teórico-qualitativa, a pesquisa examina como os romances evidenciam dinâmicas de poder e opressão, articulando paralelos entre contextos históricos e desafios contemporâneos. Mostra que crises sociais e moralidades religiosas fundamentalistas podem ser instrumentalizadas para legitimar controle e subordinação, sobretudo dos corpos femininos. Discute o potencial das narrativas para desconstruir discursos biologizantes presentes no ensino e propõe estratégias didáticas interdisciplinares que favorecem o letramento de gênero. Integrar essas obras ao currículo amplia a compreensão de fenômenos biológicos em relação a dimensões sociais, éticas e políticas, contribuindo para práticas pedagógicas críticas e emancipadoras.
Downloads
Referências
AGÊNCIA BRASIL. Projeção do IBGE mostra que população do país vai parar de crescer em 2041. Agência Brasil, 8 ago. 2024. Disponível em: https://agenciagov.ebc.com.br/noticias/202408/populacao-do-pais-vai-parar-de-crescer-em-2041. Acesso em: 28 nov. 2024.
ATWOOD, Margaret. O Conto da Aia. Rio de Janeiro: Rocco, 2017.
ATWOOD, Margaret. Os testamentos. Rio de Janeiro: Rocco, 2019.
BRASIL. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, DF: Ministério da Educação, 2018. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/. Acesso em: 17 mar. 2025.
BRASIL. Câmara dos Deputados. Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. Reunião Deliberativa Extraordinária: votação nominal do parecer sobre a Proposta de Emenda à Constituição n. 164/2012. Brasília, 27 nov. 2024. Disponível em: https://www.camara.leg.br/presenca-comissoes/votacao-portal?reuniao=74989&itemVotacao=64806. Acesso em: 30 nov. 2024.
BRASIL. Lei n.º 13.005, de 25 de junho de 2014. Aprova o Plano Nacional de Educação – PNE e dá outras providências. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, 26 jun. 2014. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2014/lei/l13005.htm. Acesso em: 31 jul. 2025.
BRASIL. Proposta de Emenda à Constituição n. 164/2012. Dá nova redação ao caput do art. 5º da Constituição Federal. Apresentação: 02 de maio de 2012. Autores: Eduardo Cunha - PMDB/RJ e outros. Situação: Aguardando Criação de Comissão Temporária pela Mesa Diretora. Disponível em: https://www.camara.leg.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=543252. Acesso em: 30 nov. 2024.
BENDROTH, Margaret Lamberts. Fundamentalism and gender, 1875 to the present. New Haven and London: Yale University Press, 1993.
BONFIM, Thiago. Paulo Freire, Bíblia: escolas nos EUA baniram 10 mil livros desde 2021. Uol, São Paulo, 24 set. 2024. Disponível em: https://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/2024/09/24/livros-banidos-eua.htm Acesso em 04 mai. 2025.
CUNHA, Magali. Fundamentalismos, crise da democracia e ameaça aos direitos humanos na América do Sul: tendências e desafios para a ação. Salvador: KOINONIA Presença Ecumênica e Serviço, 2020.
DAVIS, Ângela. Mulheres, raça e classe. Tradução de Heci Regina Candiani. São Paulo: Boitempo, 2017.
DU MEZ, Kristin Kobes. Jesus e John Wayne: como o evangelho foi cooptado por movimentos culturais e políticos. Rio de Janeiro, Thomas Nelson Brasil, 2022.
FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.
FONSECA, Barbara; FERREIRA, Gabriella. Trump e a distopia feminista: análise do “conto da Aia” como protesto na Women’s March. Revista de Educação Histórica, LAPEDUH, n. 20, p. 85-101, 2020.
Foucault, M. (1988). História da sexualidade I: A vontade de saber Rio de Janeiro: Graal.
GEBARA, Ivone. Caminhos para compreender a teologia feminista. São Paulo: Editora Recriar, 2023.
hooks, bell. Ensinando a transgredir: a educação como prática da liberdade. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2018.
HUXLEY, Aldous. Admirável Mundo Novo. São Paulo: Globo, 2008.
LERNER, Gerda. A criação do patriarcado: história da opressão das mulheres pelos homens. São Paulo: Cultrix, 2019.
LEWIS, Sophie; SERESIN, Asa. Fascist Feminism: A Dialogue. TSQ, Transgender Studies Quarterly, v. 9, n. 3, 2022.
LE GUIN, Ursula K. Os Despossuídos. Rio de Janeiro: Aleph, 2014.
LE GUIN, Ursula K. A Mão Esquerda da Escuridão. São Paulo: Editora Aleph, 2009.
LOURO, Guacira Lopes. O corpo educado. Belo Horizonte: Autêntica, 2000.
MARQUES, Marília. Mulheres usam roupas de 'O Conto da Aia' no ato pela descriminalização do aborto em Brasília. G1, Distrito Federal, 3 ago. 2018. Disponível em: https://g1.globo.com/df/distrito-federal/noticia/2018/08/03/mulheres-usam-roupas-de-o-conto-da-aia-em-ato-pela-descriminalizacao-do-aborto-em-brasilia.ghtml. Acesso em: 28 nov. 2024.
MARTINS, Carla Karine Oliveira. Os saberes sobre gênero e sexualidade na formação inicial e continuada de professoras e professores de Ciências da rede municipal de ensino de Campo Grande-MS. 2021. Dissertação (Mestrado em Ensino de Ciências) - Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Campo Grande, MS, 2021. Disponível em: https://repositorio.ufms.br/handle/123456789/4279. Acesso em: 27 ago. 2025.
MOREIRA, Nelson Camatta; VIEIRA, Claudia Bitti Leal. A distopia nossa de cada dia: a violência contra a mulher refletida na literatura especulativa feminista. Revista Brasileira de Direito, Passo Fundo, v. 18, n. 1, p. 1-21, 2022.
ORWELL, George. 1984. São Paulo: Companhia das Letras, 2009.
SANTOS, Alusk Maciel; SANTANA, Gilmar. Das telas para as ruas: o envolvimento político de The Handmaid’s Tale com a atualidade. Tropos: comunicação, sociedade e cultura, v. 9, n. 1, 2020.
SATO, Denise Tamaê Borges; MAGALHÃES, Izabel; BATISTA JÚNIOR, José Ribamar Lopes. Desdobramentos recentes da educação inclusiva no Brasil: discursos e práticas de letramento. Revista Brasileira de Linguística Aplicada, v. 4, p. 699-724, 2012. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbla/a/FB3hLvgKXPYwf6sgcmMKMvw/?format=pdf&lang=pt. Acesso em: 30 nov. 2024.
SARDENBERG, Cecília M. B. Pedagogias feministas: uma introdução. In: Caderno de textos gênero e trabalho. REDOR, 2006. p. 45–58.
SILVA, Ana Maria; SOUZA, Carla Regina. A educação feminina e os estereótipos da socialização: o currículo escolar como instrumento de reprodução. Congresso de Educação da FAG, 2021. Disponível em: https://www.fag.edu.br/novo/pg/congressoeducacao/arquivos/2021/A%20EDUCA%C3%87%C3%83O%20FEMININA.pdf.
Acesso em: 30 nov. 2024.
SILVA, Paula Márcia Ktyere Franco da; COSTA, Thais Castro; COÊLHO, Maria do Socorro Rodrigues. Representação do estupro em “O Conto da Aia’’ e a sua relação com a violência sexual contra as mulheres no Brasil. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação, v. 9, n. 10, p. 4551-4567, 2023.
SOUSA, Renata Floriano de. Cultura do estupro: a prática implícita de incitação à violência sexual contra mulheres. Revista Estudos Feministas, v. 25, n. 1, p. 9-29, 2017. Disponível em: http://educa.fcc.org.br/scielo.php?pid=S0104-026x2017000100009&script=sci_abstract. Acesso em: 28 nov. 2024.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 Cadernos de Gênero e Diversidade

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.
Política de Acesso e Direitos Autorais
As pessoas autoras mantêm os direitos autorais de suas obras, concedendo à revista o direito de primeira publicação.
A Revista Cadernos de Gênero e Diversidade é de acesso aberto, não cobra taxas de submissão ou publicação.
As pessoas autoras mantêm os direitos autorais de suas obras, concedendo à revista o direito de primeira publicação.
As publicações são licenciadas sob a licença Creative Commons Atribuição (CC BY), que permite compartilhamento e adaptação com atribuição de autoria.
Termo da declaração de acesso aberto
Cadernos de Gênero e Diversidade (CGD) é um periódico de Acesso Aberto, o que significa que todo o conteúdo está disponível gratuitamente, sem custo para usuária/o ou sua instituição. As usuárias e os usuários podem ler, baixar, copiar, distribuir, imprimir, pesquisar ou vincular os textos completos dos artigos, ou usá-los para qualquer outra finalidade legal, sem solicitar permissão prévia da editora ou de autor/a/es, desde que respeitem a licença de uso do Creative Commons utilizada pelo periódico. Esta definição de acesso aberto está de acordo com a Iniciativa de Acesso Aberto de Budapeste (BOAI).