Falar de emoção é falar de poder?
DOI:
https://doi.org/10.9771/asf171986Palavras-chave:
Antropologia das Emoções, Gênero, Poder, MoralidadesResumo
Esta resenha analisa criticamente a coletânea Emoções, gênero e poder, organizada por Chiara Albino e Jainara Oliveira, que reúne traduções de textos fundantes de Catherine Lutz e Lila Abu-Lughod. A obra é examinada como uma intervenção teórica e política no campo da antropologia das emoções, especialmente no contexto brasileiro contemporâneo, marcado pela medicalização da vida, pela psicologização do sofrimento e por disputas em torno do cuidado e da saúde mental. A resenha enfatiza os deslocamentos conceituais propostos pelas autoras, que compreendem a emoção não como um estado interno ou universal, mas como prática discursiva, relacional e situada, profundamente implicada em regimes de poder, gênero e hierarquia social. Sustenta-se, por fim, que o principal mérito da obra reside em recolocar a emoção como problema político e antropológico, evidenciando seus efeitos na produção de desigualdades e nos modos contemporâneos de governo dos afetos.
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